Antônio Donizete Mercúrio, o Donizete da Farmácia (PSDB), 57, está concluindo seu segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Franca. Ele passa o bastão para o Pastor Sérgio Palamoni (PSB) no final deste mês.
Vereador por três mandatos, Donizete, casado pela segunda vez com Aline Cristina Ferreira Mercúrio, pai de 8 filhos, tem a política na veia. Ele é sobrinho do lendário José Mércuri, que foi parlamentar por 11 mandatos em Franca, e primo de Oscar Mércuri, que também foi vereador na cidade.
Filho de Luiz Mercúrio e Maria Cortez Mercúrio, começou a trabalhar aos 12 anos, na Farmácia Nossa Senhora de Fátima, de propriedade de Manoel Custódio da Silveira, que posteriormente vendeu a farmácia aos irmãos de Donizete de forma facilitada. Donizete nunca mais deixou a profissão.
Doni, como é chamado por amigos, principalmente no meio esportivo, disse que “cumpriu sua missão” como presidente da Câmara, mas admite que o cargo exige muito jogo de cintura. “Adquiri uma experiência única”.
Durante a entrevista concedida em seu gabinete na última quinta-feira, 5, após a eleição da nova Mesa Diretora, Donizete revelou que ainda espera que o vereador Tony Hill, expulso do PSDB após decidir ser líder do prefeito Gilson de Souza (DEM) na Câmara, seja reintegrado ao partido. “Tony poderá ser o fiel da balança na hora da decisão na eleição do próximo prefeito de Franca”.
Que análise o senhor faz de sua administração?
Eu acredito que minha administração foi bastante positiva. Por um lado foi uma experiência única. Procurei realizar uma administração harmônica, mesmo sabendo que as diferenças políticas atrapalhavam um pouco no dia-a-dia. Mas conseguimos amenizar esses probleminhas, superando algumas vaidades, com um trabalho na Câmara bastante produtivo.
O que o senhor gostaria de ter realizado e que não foi possível?
Na verdade, tudo que eu tive ideia em fazer, consegui. Principalmente no se refere às tratativas iguais com todos vereadores e também funcionários da Casa. Tem questões que são burocráticas mesmo, mas no geral estou contente com o que realizei. Outra coisa foi passar por esses dois mandatos sem criar nenhuma inimizade. Isso me deixa envaidecido. Também quero destacar o trabalho do Carlos Evangelista (coordenador da Câmara), que tem muita capacidade, uma dedicação extrema. Ele conseguiu trazer vários cursos para nosso legislativo beneficiando Franca e cidades cidades vizinhas. Quero agradecer a ele por essas iniciativas, pela implantação desses cursos e ainda pela geração de economia.
O senhor teve alguma decepção nesse período administrando a Câmara?
Quando ocorreu algumas desavenças, chamei pra conversar, mas não tive nenhuma decepção, não. Graças a Deus eu consegui contornar bem alguns desses momentos, sem levar em frente nenhum tipo de vingança. Saio sem decepção.
O presidente da Câmara sofre algum tipo de pressão para colocar projetos em pauta?
Existe um procedimento normal e procurei ser justo. Sempre há casos mais urgentes para resolver e analisamos tudo com muito critério, mas não percebi nenhum questionamento de nenhum vereador e nem do Executivo.
Como é lidar com as vaidades de alguns vereadores?
Todos setores da nossa sociedade tem um que é mais simples e outros que são mais arrogantes. Mas isso é normal. Eu acho essa Câmara bem tranquila nesse aspecto. Cada um tem seu sistema de trabalhar.
Sobre as reformas que precisam ser feitas no prédio da Câmara, como ficam?
Eu até sugeri há um tempo contratar uma pessoa exclusiva para prestar serviço na Câmara permanentemente. É uma ideia que eu não consegui colocar em prática e seria uma boa. Já sobre os problemas apresentados por engenheiro no prédio sobre rachaduras e infiltrações, já temos um orçamento para realizar as obras. Segundo a perícia feita no prédio não há nenhum risco, mas interditamos duas salas por questão de segurança. A reforma precisa ser feita, mas tem que atender todo o processo burocrático. O projeto de reforma ficou pronto em novembro e não haveria tempo hábil para ser feito no meu mandato, então achei melhor deixar para o próximo presidente. Já está tudo acertado sobre esse assunto.
Quanto (do duodécimo) a Câmara vai devolver este ano para a Prefeitura?
Acredito que haverá uma devolução no valor de cerca de R$ 3 milhões. Quero destacar que Franca tem uma Câmara das mais econômicas de todo o país.
Essa sobra financeira do orçamento não poderia ser investida na reforma do prédio?
Quando o dinheiro não é empenhado precisa ser devolvido ao Executivo com indicação para algumas entidades. Mas é o prefeito que decide onde investir. Ano que vem parte dessa ‘sobra’ deverá ser destinada para a reforma.
O senhor tem sua base eleitoral no esporte. Ficou alguma coisa por fazer nessa área?
Antigamente os times tinham gastos com manutenção dos campos, bola, uniformes e taxas de arbitragens. Desde que fui eleito vereador busco ajudar os clubes junto aos prefeitos pedindo maior estrutura para as equipes. Tivemos sucesso em algumas reivindicações. Hoje os times não têm mais esses gastos e jogam em campos gramados. As equipes da Várzea já tem dificuldades para sobreviver e precisam do apoio público, como forma de lazer e entretenimento. Mas vamos continuar trabalhando para fortalecer os clubes.
Qual político o senhor admira em Franca?
Já disse em algumas oportunidades que admiro Sidnei Rocha. Ele administra com firmeza, buscando sempre resultados. Se juntássemos os estilos do Sidnei e do meu tio José Mércuri, que tinha uma sensibilidade para ajudar as pessoas, teríamos um político perfeito.
O senhor pensa em ser prefeito?
Tudo aconteceu sempre de forma natural na minha vida. Amanhã, se eu tiver oportunidade e achar que devo tentar, pode acontecer. Não descarto a possibilidade, mas não vejo essa possibilidade muito perto, não.
O Senhor vai buscar a reeleição?
Eu falo que isso é um vício. O vício da várzea (futebol) me pegou e agora é a política. É uma oportunidade de estar perto do povo mais carente. Com isso a gente ganha mais força pra continuar, podendo colaborar com uma pessoa que precisa de cirurgia que está demorando, e dentro da medida legal, poder ajudar. Gosto da política porque posso ajudar as pessoas.
Dizem que o Senhor atende muita gente em sua farmácia de graça. É verdade?
Sempre tentei ajudar as pessoas. Alguma coisa me toca. Como que eu posso deixar uma mãe ou um pai, com uma criança no colo com febre, ir embora sem um remédio. (Nesse momento da entrevista Donizete se emocionou muito). Acho que tenho esse dom para ajudar as pessoas e eu me sinto bem, mas temos um limite. Lógico que tem os aproveitadores, que a gente é obrigado a cortar.
Como que o senhor analisa o episódio sobre a expulsão de Tony Hill do PSDB, já que o senhor foi contra a decisão do partido?
Eu faço uma leitura dessa próxima eleição que vamos ter três candidatos com potencial pra chegar. Tony poderá ser o fiel da balança na hora da decisão. Tony tem uma boa votação e 4 mil votos podem pesar na hora da decisão da escolha do novo prefeito. Mas independente disso, admiro o Tony. Ele é um irmão que eu ganhei através da política.
Tony Hill é muito próximo ao Sidnei Rocha (o vereador trabalha numa emissora de rádio do ex-prefeito). O senhor acha que o vereador pode ser reintegrado ao PSDB?
Eu tenho um poder pequeno dentro do partido, mas vou lutar para que eles revejam essa situação e tragam o Tony de volta, porque eu tenho certeza que ele será muito importante para o partido. Ainda vou voltar a conversar com Artiaga (Vagner, presidente do PSDB Franca) e com o Sidnei sobre isso.
Como o senhor avalia a administração do prefeito Gilson de Souza?
Jogando bem aberto, eu acho que ele tem um pouquinho de dificuldades para administrar. Eu percebo que algum dinheiro que possa estar sobrando, ele está gastando com coisas supérfluas, vamos dizer assim. Por exemplo: R$ 500 mil da festa do Réveillon poderiam transformar em 1.500 cirurgias de cataratas. Assim, essas pessoas idosas estariam enxergando melhor, não iriam cair, se machucar. Com isso, eles não iriam precisar procurar médico, lotando o Pronto Socorro. A saúde ainda precisa de um investimento maior. Tem muita gente na fila.
Palamoni foi aclamado novo presidente da Câmara. Isso significa que ele era o nome ideal para sucede-lo?
Cada eleição tem um estilo de vereador que cabe naquele momento. Palamoni é tranquilo, ponderado e tem um contato bom tanto com a oposição quanto com a situação. Isso ajuda muito. Tenho certeza que ele vai fazer um grande mandato. Acredito que ele terá o jogo de cintura necessário que o cargo exige. Palamoni já trabalhou em banco, tem conhecimento em administração e isso oferece condições para que ele venha a desenvolver uma boa administração.
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