Hora de Bolsonaro mostrar a que veio


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Fato é que deputados e senadores votaram uma mini-reforma trabalhista, a luta pela reforma da previdência aparentemente foi vencida e esse capítulo passa por seus momentos finais, o presidente Bolsonaro já viajou para os Estados Unidos, para a China e o Oriente Médio, mas o que se vê no mercado brasileiro não aliviou significativamente a tensão de quem vive na ponta.

Com a moeda americana sendo praticada a preço de Euro, tudo começa a ficar mais caro. A aproximação com os Estados Unidos, até agora, além de um momento ‘vergonha alheia’, rendeu apenas uma estranha sobretaxa sobre o aço e alumínio brasileiros, numa declaração ainda mais estranha de Donald Trump. Os benefícios concedidos aos cidadãos norte americanos já estão pacificados, mas o que isso trouxe de benefício aos brasileiros ainda é uma grande incógnita.

Para piorar, o desemprego continua em alta - sem reflexo positivo praticamente nenhum depois da reforma trabalhista - e o gasto da população mais carente só aumenta. Primeiro, a Petrobrás aumentou o preço da gasolina para as refinarias. Nesta última semana foi o diesel que ficou 2% mais caro.

Em matéria desta edição, mais um dado alarmante: o preço da cesta básica também está aumentando e a perspectiva não é das melhores. Em Franca, como de resto no país, a grande vilã do aumento dos preços, a carne, tem sofrido elevação impressionante. De março deste ano para novembro, alguns cortes de carne mais que dobraram de preço nos açougues da cidade.

Sublimando qualquer debate ideológico, fato é que a população que acreditou numa mudança econômica efetiva com a eleição do presidente Jair Bolsonaro ainda não sentiu no bolso mudança alguma. Ao contrário. O cinto aperta cada dia mais.

O pacote econômico apresentado pelo governo no Congresso, no começo de novembro, pode ser o momento da virada neste cenário desolador. Mas ainda leva tempo e muita negociação até que realmente as mudanças passen a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. Até lá, Bolsonaro também precisa mostrar a que veio.

Não adianta colocar todas as fichas apenas em um ministro. É preciso se posicionar com respeito, cobrando a mesma postura de outros líderes internacionais, ainda que seja Trump, ao invés de fazer piada na internet (como aconteceu esta semana quando Bolsonaro fez graça com antigos discursos da ex-presidente Dilma Rousseff), gerando intrigas no Twitter ou discutindo a criação de mais um partido político. Principalmente num país que precisa mais de trabalho, de arroz, feijão e carne no prato, que de novas legendas eleitorais.

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