Novembro e as jabuticabas


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O ciclo natural da nossa vida nos reserva, permanentemente, momentos felizes e de grandes realizações pessoais e profissionais. Mas da mesma forma, como é óbvio, temos em muitas ocasiões que conviver com perdas, fracassos, ingratidões e frustrações. São episódios que podem acontecer de janeiro a dezembro. No verão ou no inverno.

Mas sem dúvida, as pessoas de uma maneira geral, por razões pessoais e variadas, acabam tendo predileções por algumas épocas do ano e, ao contrário, não se sentem otimistas e confortáveis em outras.

Lembro-me bem que a minha saudosa mãe, Dona Zazá, detestava o mês de agosto. Ela dizia que era o mês do “cachorro doido”, da ventania, do tempo empoeirado, da secura, das doenças respiratórias e ainda, segundo ela, agosto sempre foi para o brasileiro um mês fatídico, pois pródigo em tragédias que ela costumava desfiar.

Penso que não exista uma única criatura que, racionalmente, não goste do mês de dezembro. Ele representa o final do ano, o fechamento de um ciclo, o momento das trocas de presentes, de esquecer as diferenças, de renovar as esperanças e de fazer planos para o novo ano que se avizinha. E é o mês de maior importância e significado para o Cristianismo, pois é nele que se convencionou celebrar o nascimento do Messias.

Evidente que também gosto de dezembro. Mas confesso que tenho um especial apreço pelo mês de novembro, por diversas razões pessoais, mas especialmente porque é nele que a primavera se consolida, sobretudo porque as chuvas que se iniciam tímidas em setembro e outubro, geralmente precipitam com mais abundância em novembro, tornando a natureza exuberante, onde o verde ganha diversas tonalidades.

Gosto também de novembro por ser o mês das jabuticabas. Elas me fazem recordar a infância em Cássia e as majestosas jabuticabeiras do pomar do Sr. Tavico, nosso vizinho. Infelizmente elas deram lugar a um sobrado.

Quando me perguntam se Deus é mesmo brasileiro, costumo dizer que sim, por diversas razões, mas em especial porque só aqui ele fez nascer e frutificar a jabuticabeira, a fruta que, até em razão da minha memória afetiva, é a minha preferida. Podem me chamar de louco!

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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