Saem no próximo dia 3 os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), a maior e mais respeitada avaliação de estudantes do mundo
Meio milhão de adolescentes de 79 países participaram das provas do Pisa, organizadas pela OCDE ( Organização para a Cooperação e Desenvolvimento). No Brasil, 623 escolas, 523 delas públicas, num total de 17 mil estudantes de 15 anos, estão representadas.
Educadores aguardam com expectativa os resultados, porque diante das mudanças drásticas dos últimos 20 anos, os critérios de avaliação de leitura mudaram. Organizadores do Pisa concluíram que a conhecida fórmula dos livros didáticos já não é suficiente num mundo onde, por exemplo, fake news demandam avanço nas habilidades de reconhecimento do que é verdadeiro e do que é falso. O leitor contemporâneo precisa ter certeza sobre a natureza do texto que lê. Quais são as fontes que o sustentam? Qual o objetivo do autor? O mundo digital é tão complexo quanto perigoso. A leitura deve ser analítica e muito mais profunda do que a feita até o começo deste século.
O problema é que o mundo digital ao qual adolescentes aderem de forma avassaladora têm provocado danos ao tipo de leitura que o Pisa passa a avaliar a partir de agora.Não basta compreender no nível linear. É preciso aprofundar-se e criar correlações. E. como mostrou uma neurocientista norte-americana, Maryanne Wolf, em livro já lançado no Brasil, pesquisas na área revelam que “não estamos mais vendo ou ouvindo com a mesma qualidade de atenção, porque vemos e ouvimos demais, nos acostumamos e pedimos mais”. Ainda não ficou claro de que forma a leitura digital está impactando. Mas um experimento feito na Noruega demonstrou que estudantes que leram uma narrativa no impresso a memorizaram melhor do que os que a leram na tela.
A mais recente prova do Pisa para avaliar a leitura deixou de lado o esquema de um texto e várias perguntas. O aluno teve de relacionar cenários a partir de múltiplas escritas: a literária, a histórica, a jornalística, a geográfica, a da publicidade, a dos blogs, a dos e-mails, a de outros registros das redes sociais etc. Relacionar conteúdos, temas, informações e mensagens e verificar autenticidade são os novos desafios para o leitor de nosso tempo.
No ano passado, a colocação do Brasil no ranking do Pisa, que avaliou também matemática e ciências, não foi nada animadora. Entre 70 países examinados ficamos em 63º lugar. Numa de suas últimas falas, o ministro da Educação, ele próprio, disse que o país deve ficar agora em último lugar. Essa afirmação causou frustração em todos que têm consciência de que é a educação o melhor termômetro pra avaliar o desenvolvimento de um povo.
A se confirmar o dado na terça-feira, teremos de dar credibilidade a recente estudo do Banco Mundial que constatou que , em média, das quatro horas diárias de aulas nas escolas públicas brasileiras, apenas duas são integral e efetivamente dedicadas ao ensino. É muito pouco para as exigências da contemporaneidade..
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