La Luna sul Colosseo é um passeio de pequeno grupo, guiado pelo interior dessa monumental construção romana. Queria escapar das filas exasperantes para visitação e descobri essa visita noturna. É relativamente recente a iluminação cinematográfica por toda a obra e, penso que, se sob o sol já são tocantes as galerias, à noite experimentamos uma ponta do medo que invadiam escravos e bichos confinados a esperar o momento fatal ao som estridente da turba que frequentava as arquibancadas. Um guia competente nos contou um pouco de história: toda aquela área era a piscina do imperador Nero, Nerone para os italianos. Os buracos simétricos na construção de mármore travertino (Roma é feita de mármore travertino, tem até sarjeta de mármore) era lugar de metais valiosos que ao longo dos séculos lhe foram saqueados.
Durante a visita, já imaginava isso, surgiu prateada, em contraste com o amarelo romano, uma lua crescente, muito prestes a ser cheia. Na arena lutavam fantasmagoricamente gladiadores e bichos. Naquele momento, a composição toda era tão bonita que o Coliseu não pareceu ser mais real que a apresentação.
Saímos, eu e meu marido, tarde do passeio. Tínhamos jantado muito cedo e resolvemos fazer um reforcinho com um queijo e vinho do supermercado ao lado da gente. Sirigaita, escolhi tudo e passamos a mão pelo gargalo da garrafa, momento em que fomos interpelados pelo atendente: não podíamos mais comprar vinho. Quase ofendidos perguntamos o por quê. Estaria eu, com meus brilhantes 46 anos, e meu marido, nos irradiantes 55, com cara de menos de 18? Não, nada disso. Em toda a Itália está vigindo uma lei que proíbe a venda de qualquer bebida alcoólica após as 22 horas.
Sem pestanejar, corremos para uma pequena taverna para um pedaço de pizza e uma taça de vinho. Porta na cara. Nem nos restaurantes pode-se vender. Se o vinho acaba depois das 22h, é chupar o dedo. O resultado disso é que os restaurantes fecham muito cedo, o povo bebe menos e parece que há menos confusão pelas ruas. De nossa parte, no dia seguinte, fizemos um estoquezinho e bebemos depois das 10 - também com um prazer da ilicitude.
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