Um País de extremos


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Está claro que a polarização violenta, que já assustava grande parte da população, ganhou um novo capítulo com o ex-presidente lula de volta aos palanques, 

 

 

Depois de 19 meses preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está de volta aos palanques. A saída de Lula das celas de Curitiba só foi possível após um julgamento mais que apertado no STF, em que por um placar de 6 a 5, os ministros decidiram que uma decisão em segunda instância não é suficiente para garantir a antecipação da pena a processados na Justiça. O resultado é que, sejam apoiadores da família Bolsonaro ou petistas, ninguém pode negar que a soltura é um componente importantíssimo no cenário político já extremamente polarizado que vivemos hoje no Brasil.

Desde o começo do seu governo, o presidente Jair Bolsonaro adotou um discurso duro e agressivo contra a esquerda e as minorias. Agora, nos dois primeiros pronunciamentos públicos feitos após sua saída, o ex-presidente Lula também deixou claro que voltou para a briga. Quem imaginava que o petista sairia da prisão, após quase dois anos de reflexão, com uma postura mais amena ou conciliadora, se enganou. Lula fez ataques diretos contra a Lava Jato, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o ex-juiz Sérgio Moro, o presidente Bolsonaro e até contra a Globo - também atacada pelos membros do atual governo.

“Eu fiquei numa solitária por 580 dias e me preparei para não ter ódio, não ter sede de vingança”, disse Lula ontem, em discurso na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. Se não é ódio, também não parece ser umsentimento muito tranquilo que esteja motivando o petista. “Esse país não merece o governo que tem. Esse país não merece um governo que manda seus filhos contarem mentira todos os dias através de fake news”, disse.

Mesmo especialistas políticos estão com dificuldades para prever como serão os próximos meses. Após anos de demora para tratar o assunto, alguns parlamentares tentam acelerar no Congresso uma mudança na lei para manter as prisões em casos de condenação em segunda instância. O presidente Jair Bolsonaro tem falado muito pouco sobre as declarações de Lula. O ex-presidente, por sua vez, já reafirmou que pretende andar o país, obviamente para questionar medidas do atual governo e se preparar para as próximas eleições.

Diante deste contexto, a polarização que já tinha tomado conta do Brasil deve ficar ainda mais evidente. De um lado, a direita conservadora aglutinada nos ideiais de Bolsonaro. Do outro, a esquerda reunida em torno da inegável força do discurso de Lula. Como os militantes de cada lado vão reagir, qual será o tom dos debates nas ruas e nas redes sociais também é um fator a ser observado. Enquanto não se pode prever como esta história vai terminar, está claro que a polarização violenta, que já assustava grande parte da população, ganhou um novo capítulo. E está longe do fim.


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