No dia 09 de novembro de 1989, sob o olhar atento do mundo que acompanhava o evento pela televisão, os berlinenses derrubaram o Muro que desde 1961 dividia sua cidade
Há trinta anos, exatamente, um muro caía e mudava a configuração do mundo ocidental. Apesar das marretas e picaretas, ele, na verdade, não caiu; foi retalhado, preservando seus grafites, o que os turistas podem ver ainda hoje. O fato foi comemorado com euforia : havia famílias que não se viam há vinte e oito anos.
Este Muro, cuja extensão era de 155 km, divida Berlim por todo o centro. Era uma construção de concreto, com sistema de controle de fronteiras. Um lado era administrado pela República Federal da Alemanha (RFA), sob influência do capitalismo; o outro, pela República Democrática Alemã (RDA), sob influência do comunismo. A construção se tornou o maior símbolo da “Guerra Fria”, que teve seu início logo após a Segunda Guerra Mundial (1945) e durou até a extinção da União Soviética (1991). Foi um período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, em busca de hegemonia política, econômica e militar no mundo.
Ao construir o Muro a partir do Portão de Brandenburgo, um dos principais símbolos históricos da cidade, o goveno da RDA procurava reafirmar tanto a divisão da Alemanha no pós- Guerra como impedir a fuga de alemães do lado oriental para o ocidental. Durante 28 anos foram muitos os que morreram tentando migrar para a RFA.. Algumas áreas ficaram conhecidas como “zonas da morte”.
E por que tentavam os moradores da RDA passar para o lado da RFA? Porque os resultados do Plano Marshal, plano econômico lançado pelos EUA para reconstruir a Europa Ocidental destruída pela Segunda Guerra, havia gerado um crescimento exponencial no lado alemão sob influência do capitalismo. Tal situação levou uma grande parcela da região de Berlim Oriental, sufocada por repressão e carência de produtos básicos, a tentar fugir para o lado ocidental, em busca de melhores condições de vida.
Como o Muro de Berlim foi o principal símbolo da divisão do mundo entre o socialismo e o capitalismo, sua queda também marcou o fim da polarização do mundo entre EUA e URSS. As dificuldades econômicas e sociais vivenciadas nos países sob influência soviética levaram os governos a adotarem os mecanismos econômicos, sociais e políticos característicos do capitalismo ocidental.
O prefeito Michael Müller, num discurso durante a semana, fez apelo aos berlinenses, lembrando que “é preciso que todos se comprometam juntos pela liberdade, liberdade de imprensa, liberdade de opinião, liberdade de culto”, concluindo que essa “revolução pacífica”, que permitiu a união dos alemães, se desenvolveu “sem o derramamento de uma gota de sangue”.
Boa lembrança, especialmente neste momento onde muros de diferentes tipos se erguem opondo seres e ideias em muitas regiões do planeta.
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