'DIAGNÓSTICO'

Assim como promessas, anúncios de Gilson também não saem do papel


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Antiga Mogiana seria uma subprefeitura do governo, para receber pedidos e reclamações. Ideia, no entanto, não saiu dos planos
Antiga Mogiana seria uma subprefeitura do governo, para receber pedidos e reclamações. Ideia, no entanto, não saiu dos planos

Ao longo dos anos que já passaram desde o início de seu mandato como prefeito, Gilson de Souza (DEM) anunciou a realização de alguns projetos, além daqueles que integravam seu plano de governo inicial e, por várias vezes, surpreendeu a população com a grandiosidade dos mesmos. Transformar o Lanchão em um Centro Empresarial; criar uma faculdade pública em Franca; uma subprefeitura na Estação; zerar a fila de cirurgias eletivas investindo R$ 100 milhões; e vender imóveis públicos sem uso são apenas alguns dos anúncios feitos publicamente e que não saíram do papel.

O primeiro grande anúncio foi feito pelo prefeito antes mesmo do seu governo completar 100 dias: no dia 25 de março de 2017, após participar de uma série de reuniões em São Paulo, Gilson informava ter planos para transformar o estádio “Dr. José Lancha Filho” em um grande centro empresarial com espaços esportivos e de lazer. A intenção era usar o modelo de PPPs (Parcerias Público-Privadas) mas, no decorrer dos meses seguintes, a idéia se tornou apenas um rascunho e nunca saiu do papel. Na época o prefeito afirmou que o estádio precisava de reformas e que não atendia mais às necessidades tendo se tornando um elefante branco, que só dava despesas e não trazia nenhuma fonte de receitas.

O projeto inicial manteria o uso esportivo do estádio pela Francana e outros times locais, porém transferiria a uma empresa privada a responsabilidade de investir no local e, em contrapartida, poderia explorar comercialmente o espaço. A proposta incluía ainda que a empresa deveria construir duas creches para alunos em Franca. No entanto, passados quase três anos do anúncio, não há nenhuma informação sobre o projeto ou, caso tenham desistido da ideia, o motivo que levou a isso.

O outro lado
A reportagem entrou em contato com a administração municipal durante vários dias em busca de informações sobre o andamento dos projetos mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno do prefeito nem da assessoria de imprensa.

Faculdade municipal
O calendário marcava junho de 2018 quando Gilson de Souza fez um pedido ao Conselho Estadual de Educação para a instalação de uma faculdade pública municipal para atender de graça cerca de 400 estudantes em quatro cursos. A estimativa da Prefeitura era que o projeto pudesse sair do papel em 18 meses. Hoje, cerca de 16 meses depois, não é possível dizer se o projeto caminhou ou, se sim, em qual etapa ele se encontra. 
 
A ideia inicial era oferecer os cursos de administração, contabilidade, pedagogia e educação física, sem custos para os alunos selecionados no vestibular. A faculdade seria instalada no prédio da Secretaria Municipal de Educação e era tida como “prioridade” pelo gestor municipal. O plano era utilizar cerca de 30 profissionais  da própria rede municipal para atuar na instituição.
 
Subprefeitura na Estação
Por mais de uma vez o prefeito manifestou sua vontade de implantar uma subprefeitura em Franca. Apesar de desde o início não dar muitos detalhes sobre o projeto, Gilson afirmou que a subprefeitura funcionaria na Estação, podendo ocupar uma parte do prédio da antiga Estação Mogiana. 
 
Até o nome do espaço, que seria Onofre Gosuen (ex-prefeito responsável por lançar o atual governante no mundo da política), já havia sido anunciado.
 
As subprefeituras têm o papel de receber pedidos e reclamações da população e solucionar os problemas daquela região. São Paulo tem 32 subprefeituras. Em Ribeirão Preto são três subprefeituras, mas as mesmas estão praticamente desativadas.
 
Prédios sem uso
Há exatamente um ano, em outubro de 2019, o prefeito anunciou o leilão de cerca de 50 imóveis públicos, que estão sem utilização. A expectativa era arrecadar R$ 40 milhões com a venda e utilizar o dinheiro para dar início a sua principal promessa de campanha: a construção de um hospital. 
 
Antes de anunciar a intenção de vender os prédios, técnicos do município realizaram uma minuciosa vistoria nos imóveis para constatar o estado de conservação e se, de fato, seguiam ociosos. Dentre os lotes disponíveis estavam casas, terrenos e até o prédio conhecido como “Esqueleto”, na avenida Ademar Pólo Filho. Um ano depois, nada.
 
12,3 mil ainda esperam por cirurgias

 Apesar do anúncio feito em outubro de 2017 de que zeraria a fila de cirurgias eletivas ao longo dos seus quatro anos de governo, isso ainda está longe de acontecer. Atualmente, de acordo com dados da Secretária de Saúde, 12.344 pacientes aguardam na fila. Apesar de ter realizado 14.614 cirurgias eletivas entre janeiro de 2017 e junho de 2019, a espera segue longe de acabar. 

O compromisso de investir R$ 100 milhões para acabar com as cirurgias foi anunciado depois da Prefeitura negociar com a Santa Casa de Franca um plano para aumentar o número de procedimentos realizados e assim dar fim a espera dos pacientes. Em contrapartida, a Santa Casa assumiu o compromisso de mais que dobrar o volume de cirurgias eletivas realizadas todos os meses. Mas, apesar do anúncio, não há informações de que o convênio tenha de fato saído do papel e o número de cirurgias tenha passado dos 400 para os 600 procedimentos previstos por mês. 
 
Na época do anúncio do investimento de R$ 100 milhões cerca de 10 mil pessoas estavam na fila, mas a demanda é crescente. Na mesma época eram realizados em média 400 procedimentos por mês (divididos entre a Santa Casa - 190 - e hospitais da região e de Ribeirão Preto). 
 
A Prefeitura também foi procurada para falar sobre o andamento das cirurgias eletivas e sobre quanto dos R$ 100 milhões já teriam sido investidos nos procedimentos, mas não retornou os contatos feitos pela reportagem.

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