Uma semana depois, as marcas da agressão ainda estão visíveis: olho roxo, nariz quebrado, lesões na boca, testa e nos braços. A vítima, um professor aposentado de 74 anos, pai de dois filhos e avô de quatro netos. A indignação é o que mais dói.
Sábado, 26 de outubro, 12h15. Morador do Residencial Amazonas, o aposentado foi fazer compras no supermercado Lopes do Parque Progresso. O idoso teve que parar um pouco mais distante, pois as vagas preferenciais de estacionamento, existentes na rua Marco Aurélio de Luca, estavam ocupadas por duas motos.
Sentindo-se desrespeitado, decidiu fotografar as motos que ocupavam irregularmente as vagas. Neste momento, a dona de uma das motos chegou. “Eu falei para ela que era uma falta de respeito, falta de educação. Ela se explicou, sem se alterar, disse que era só um minutinho e que havia ido ao mercado rapidinho. Logo depois, chegou o homem que montou na outra moto”.
O aposentado continuou falando com a mulher. “Eu disse para ela que nada justificava o desrespeito à uma vaga preferencial. Eu estava na calçada do supermercado. Quando virei as costas para entrar, senti a pancada atrás. Senti um chute e um soco na cabeça”, contou.
Ele completou. “A agressão foi tão covarde, tão inesperada e, por trás, que não te dá a menor chance de defesa. Eu caí no chão e bati primeiro o rosto e, depois as mãos. Foi onde fraturei o nariz”.
Enquanto várias pessoas se aglomeraram na calçada para ajudar a socorrer o idoso, o agressor voltou calmamente para a moto e foi embora. A agressão foi registrada por câmeras de segurança. “Em momento algum eu falei com ele. Eu estava falando apenas com a moça. Lógico que, o que eu estava dizendo a ela, era cabível aos dois, mas nunca me dirigi a ele. Não houve sequer discussão. Ele, simplesmente, se sentiu ofendido, desceu da moto e agrediu gratuitamente uma pessoa idosa e ainda pelas costas”.
O agressor foi localizado pela polícia e responderá pelo crime de lesão corporal de natureza grave, com os agravantes de ter agido por motivo fútil e contra pessoa idosa. Também será alvo de ação indenizatória por danos morais e multado por infração de trânsito
A multa para quem estaciona, sem autorização, em vagas de idoso ou deficiente é gravíssima. O motorista infrator perde sete pontos na carteira e tem que pagar R$ 293,47. “Não dá mais para a sociedade, de uma forma em geral, tolerar esta onda de violência contra seres mais frágeis do que o agressor. É criança, é mulher, idosos e animais sendo vítimas deste tipo de pessoal. Espero que ele pague pelo o que fez e que aprenda que não é assim neste mundo. As regras precisam ser obedecidas por todos”, finalizou o idoso, que preferiu ter a sua identidade preservada.
Agressor se apresenta à polícia e alega que foi xingado
O homem que agrediu pelas costas o idoso de 74 anos foi identificado por meio das placas da moto. Trata-se de um sapateiro, de 51 anos, que mora no Jardim Lima. Ele foi intimado a prestar depoimento no 4º DP, quinta-feira, mas, quando chegou na delegacia, notou a presença de jornalistas e decidiu ir embora.
Como ele não se apresentou, o delegado David Abmael David decidiu pedir à Justiça um mandado de condução coercitiva para que ele fosse levado pela polícia para prestar depoimento. “Já que não quer vir espontaneamente, ele vem por meio da polícia. Ele tem que ser responsabilizado pelo ato covarde que fez. A situação revolta: a pessoa estava errada, estacionou em local específico para idoso e deficiente, e ainda agrediu a vítima idosa pelas costas. Foi um ato covarde”, afirmou o delegado durante entrevista à rádio Difusora ontem.
Ao tomar conhecimento do mandado de condução coercitiva, o sapateiro mudou de ideia e se apresentou no 4º DP no final da tarde. Ele alegou que a vítima o teria xingado. “Ele me chamou de bandido sem vergonha. Eu estava com a cabeça cheia e filho doente. Desci da moto, chutei ele e dei um murro”. Em seguida, virou as costas e foi embora. Disse que estava “desesperado” e com medo de ser linchado.
O idoso refutou o teor do depoimento e negou que tenha xingado o agressor.“Esta mentira doeu muito mais do que a agressão física. Em momento algum eu me alterei, sequer, com a moça. Ela também não se alterou comigo e se explicou educadamente”.
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