Após cerca de cinco anos convivendo em um relacionamento abusivo cercado de agressões físicas e morais, com constantes indas e vindas, Luci Mary Resende, de 42 anos, decidiu colocar um fim no relacionamento com o advogado Jânio Cordeiro Pereira, de 50 anos. “Quando iniciamos o relacionamento em 2014, ele não demonstrava ser assim, era outra pessoa. A primeira agressão que sofri eu estava grávida. Um vizinho, que ajudou, falava: ‘pra que isso doutor?’ Eu não percebia as coisas, eu queria construir minha família. Ele falava que me amava e que ia mudar, e eu sempre voltava”, lembra Luci. “Ele já tentou quebrar um tijolo na minha cabeça, foi humilhante. Dava murro no meu estômago, puxava meu cabelo porque era um lugar que não ficava roxo. Me ameaçava, falava que seu eu largasse ia me matar.”
Nas últimas semanas, Luci resolveu colocar um ponto final da história e decidiu ir para a casa dos pais para ter um novo começo. “Eu cansei e coloquei todas as minhas coisas dentro do carro e fui para casa da minha mãe”.
Depois de uma semana na casa dos seus pais, Luci e sua família viveram um momento desesperador. O advogado mandou várias mensagens para a ex-mulher, mas ela não respondeu. Quando por volta das 22h desegunda-feira, 21, ele foi até a casa de seu ex-sogro e descarregou uma pistola 380 no portão da família. O alvo seria Oscalino José de Resende, de 64 anos, pai de Luci, que evitou a entrada dele na casa.
“Ele veio para tentar reatar, como toda vez fazia, com as mesmas promessas. Mas ele veio era cumprir a promessa que, se eu largasse dele, iria matar eu e minha família.”
Ela lembra quando tudo aconteceu. “Estávamos no sofá eu, meu pai, minha mãe, meu bebê e minha filha de 17 anos. (...) Foi Deus que nos salvou, meu pai foi para fora segurar o portão pra ele não entrar, ficou vendo os tiros passarem. Teve um tiro que foi parar no sofá, não sei como essa bala foi parar lá. Ele dizia que queria fazer uma chacina. Eu tenho certeza que se eu saisse pra olhar, os tiros pegariam em mim.”
Jânio disparou 16 vezes contra a residência de Oscalino. A Polícia Militar foi acionada e o advogado fugiu. Ele descartou a arma nas proximidades do Distrito Industrial e foi pego pelos policiais perto do Franca Shopping, resistindo à prisão.
Janio foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e encaminhado até o Plantão Policial. Os advogados de Janio realizaram o pedido de Habeas Corpus, mas ele foi negado. Janio segue na penitenciaria de Franca.
Resposta da OAB
De acordo com presidente da OAB de Franca, Marcelo Noronha, em entrevista ao portal GCN, a entidade recebeu na manhã de quarta-feira, 23, o boletim de ocorrência registrado no dia do fato e, logo em seguida, o caso foi despachado para a Comissão de Ética e Disciplina para análise e deliberação. As sanções contra Janio Jasem Pereira previstas são de censura, advertência, suspensão e até mesmo expulsão do quadro da ordem.
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