Errei!


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A probabilidade de uma pessoa, que viaja constantemente de avião, vir a sofrer um acidente aéreo, obviamente é bem maior do que daquele que viaja esporadicamente. O mesmo ocorre com o transporte rodoviário.

Digo isso como paradigma para afirmar que quem lê e escreve com mais constância, embora fique mais afinado com a linguagem escorreita, também correrá maior risco de cometer equívocos linguísticos, seja no emprego de palavras ou concordâncias verbais.

A língua portuguesa, o que tem de rica e bonita, tem de complicada. Ninguém ousará negar. Assim, algumas vezes – e infelizmente é mais comum do que parece – ela nos prega algumas peças.

Em nível nacional temos o carismático Pasquale Cipro Neto, professor de língua portuguesa e idealizador do programa da TV Cultura, intitulado Nossa Língua Portuguesa. Ele há anos ajuda pessoas a terem uma intimidade maior com o vernáculo. Em nossa Franca, o Professor Everton de Paula também há anos faz o mesmo trabalho, publicando textos que nos ajudam a usar a linguagem correta.

Sei que a língua é viva e que diariamente novas palavras são a ela incorporadas. No entanto, só serão incluídas nos dicionários quando os seus escritores sentirem a necessidade de incluí-las. Não obstante essa volatilidade na linguagem, há que se reconhecer que não se pode modificar a forma de escrever uma determinada palavra, ainda que tal modificação não impeça o entendimento do texto, pelo leitor.

Digo, tudo isso, porque no meu texto da semana passada, publicado neste Comércio, com o título Anonimato, cometi um grave deslize de linguagem, que só percebi quando o li já publicado.

Empreguei erroneamente o adverbio “impunimente”, quando o correto é “impunemente”. Note-se a casca de banana que às vezes se escorrega, pois o correto é impunidade e não “impunedade”.

Descobri que em 2012 o Padre Fábio de Melo, um sacerdote de cultura invejável, veio a público reconhecer que havia cometido o mesmo erro, tendo, inclusive, dito na ocasião, “que Deus nos livre das trocas de letras”.

Assim, venho também fazer o mea culpa e pedir desculpas ao meu leitor.


Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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