Um dia após reportagem do “Comércio” mostrar a redução em 75% promovida pelo prefeito Gilson de Souza na operação tapa-buraco, a Prefeitura de Franca manteve silêncio sobre o tema. Nem assessoria de comunicação nem o presidente da Emdef, Marcos Haber, se pronunciaram nesta segunda-feira, 21, a respeito mesmo após questionamentos da reportagem. Haber se limitou a indicar que a responsabilidade era da Prefeitura.
A matéria publicada pelo jornal relata que houve uma poda significativa no valor empregado no serviço que fecha buracos abertos pelas ruas e avenidas de Franca. Segundo dados da própria Emdef requisitados pelo vereador Corrêa Neves Jr (PSD), o valor investido atualmente no tapa-buraco pelo prefeito Gilson de Souza (DEM) é 75% menor do que o aplicado na gestão anterior, quando a cidade era administrada por Alexandre Ferreira, que pertencia ao partido do PSDB - atualmente ele está no MDB.
Em 2017 - usado como parâmetro - quando Gilson iniciou seu mandato, o orçamento deixado por Alexandre foi de R$ 4.825.317,74 para ser aplicado na operação tapa buraco. Em 2019, o valor caiu para R$ 1.247.724,03, o que caracteriza a diferença enorme na queda dos recursos destinados ao serviço de manutenção das vias públicas de Franca.
Em 2014, o valor investido no tapa-buraco foi o menor da última década, cerca de R$ 686.296,55. Mas isso tem uma explicação. O então prefeito Sidnei Rocha exigiu uma verba de R$ 30 milhões em massa asfáltica para renovar o contrato com a Sabesp. Com isso, Sidnei pôde recuperar a maioria das vias públicas ao longo de seus dois mandatos utilizando a verba da estatal. Em 2015, o valor investido na manutenção das ruas subiu para R$ 3.675.539,58. Em 2016 foi para R$ 4.234.412,97.
O presidente da Emdef, Marcos Haber, disse dias atrás na Câmara Municipal que o valor ideal para atender a demanda do serviço de tapa-buraco em Franca seria R$ 4 milhões/ano, e R$ 10 milhões/ano para a operação de recapeamento. Apesar do pronunciamento público recente, Haber preferiu não se manifestar quanto ao corte nas verbas praticado pelo governo Gilson.
Para o vereador Corrêa Neves Jr, que solicitou o levantamento, os números falam por si mesmos. “Fica evidente que a principal razão para o aumento da buraqueira é a falta de manutenção. O corte no tapa-buracos foi brutal. Estamos diante de uma calamidade que poderia, sem grande esforço, ter sido evitada. Faltou, essencialmente, gerenciamento do governo Gilson de Souza”, critica.
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