Óleo nas praias e muita omissão


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Nos últimos dias temos assistido manchas de óleos se espalharem pela costa brasileira. Desde o dia 30 de agosto, nove estados e 17 cidades já foram atingidas. A cada dia, o óleo avança e novas cidades assistem suas praias se tornarem verdadeiros depósitos de óleo, que invadem a areia, dominam a água e assustam moradores e turistas. Ainda mais preocupante, até agora não se sabe exatamente a origem do problema e, muito menos, como combatê-lo.

O caso tem revelado um contexto complexo. Em abril, ao extinguir diferentes Conselhos da administração federal, o presidente Jair Bolsonaro também acabou com dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), instituído em 2013. Na prática, os comitês existiam exatamente para casos como este: agir em eventuais desastres ambientais. Sem eles, o governo simplesmente não tinha nenhum plano pré-concebido para agir quando as manchas de óleo começaram a surgir. A ausência de planejamento do governo é tão grave que o próprio Ministério Público Federal abriu um processo contra a União, por omissão.

Diante do cenário caótico, as reações do presidente Bolsonaro são no mínimo estranhas. Primeiro, ele cogitou que o derramamento de óleo tivesse origem numa ação criminosa, sem dizer qual seria essa ação ou até quais medidas o governo estava tomando para encontrar os responsáveis e puní-los. Depois, cobrou a manifestações das ONGs de proteção ao meio ambiente.

Fato é que patrimônios nacionais têm sido atingidos. Praias como a de Carneiros, um dos maiores patrimônios naturais do País, foi encoberta por óleo, assim como aconteceu em Porto de Galinhas. O petróleo também cobriu nesta semana a praia de Japaratinga, onde há um projeto de conservação para proteção do peixe-boi, espécie ameaçada de extinção. Centenas de toneladas de óleo têm sido recolhidas das praias e um novo problema começa a surgir: onde e como descartar todo o material.

De tudo, a única notícia boa é a reação dos próprios brasileiros. Centenas de voluntários têm trabalhado nas praias em diferentes estados, ajudando funcionários das prefeituras a recolher o óleo na praia. Pescadores, surfistas, banhistas e donos de pousadas têm se juntado para limpar as manchas e resgatar animais atingidos por ela. Se há um alento diante de tudo, a união dos brasileiros é um evento importante a ser obervado.

Por que, ao considerar as tímidas e erráticas reações das autoridades do país, ainda veremos muito óleo chegar ao litoral sem ter ideia do local de onde vem ou quais medidas os órgãos governamentais adotarão para reduzir os danos incalculáveis provocados. O que dizer, então, da prevenção. Alento, mesmo, só a união dos brasileiros.

 

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