Quatro em cada dez brasileiros com mais de 25 anos, num total de mais de 53 milhões de pessoas, apenas sabem ler e escrever o básico, sem muitas condições de interpretar um texto um pouco mais elaborado
O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou em junho a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), referente ao ano de 2018, com uma informação aparentemente positiva e outras perturbadoras.
A boa é que se em 2017, 40,9% da população brasileira acima de 25 anos não tinham completado o ensino fundamental, no ano passado o índice foi levemente menor: 40%. Já o porcentual de pessoas que não terminaram a educação básica chegava a 53,8%, o que foi revertido para 52,3%. È uma pequena evolução, mínima mesmo, mas poderia ser pior.
Ainda assim, quatro em cada dez brasileiros com mais de 25 anos, num total de mais de 53 milhões de pessoas, apenas sabem ler e escrever o básico, sem muitas condições de interpretar um texto um pouco mais elaborado; ou não sabem fazer com destreza as quatro operações básicas da matemática.
A pesquisa mostrou também que, no ano passado, 23 % da população entre 15 e 29 anos (cerca de 47,3 milhões) não estudavam e nem trabalhavam. Ou seja, havia doze milhões de jovens brasileiros num limbo intrigante, se pensarmos em atividades de desenvolvimento. Havia muita gente sem atividade produtiva. O cenário não melhorou.
O IBGE ainda registrou o tempo de estudo do brasileiro. Na média, 9,3 anos. Considerando-se necessários 16 anos, no mínimo, para formar alguém com nível de escolaridade superior, faltam quase sete anos para chegarmos lá. A diferença é maior quando se leva em conta a “cor da pele”. Brancos contabilizam, em média, 10,3 anos de estudo; negros, 8,4 anos.
No tocante às regiões brasileiras, no Nordeste a população tem menos tempo de estudo, 7,9 anos. E o Sudeste é a que exibe mais tempo,10 anos.
Um dado perturbador revela 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais. A melhora em relação a 2017 foi pífia: apenas 0,1 ponto percentual, ou seja, 121 mil analfabetos a menos.
Sai governo de esquerda, entra governo de direita e nada de efetivo se faz para reverter a situação do ensino que beira a calamidade. Professores heroicos, com índole missionária, ainda fazem a diferença onde atuam. Mas tornam-se poucos diante do tamanho do problema.
Oriundo da presidência da República, trocada há nove meses, não vimos ainda nenhum plano eficiente ser pensado, quanto mais gestado. Educação é essencial para tirar o Brasil do atraso em que se encontra. É urgente enfrentar o drama, ter inteligência para encontrar rumos, mostrar vontade de mudar. Não se vê isso no momento. Os interesses do governo são outros e não permitem sequer que a esperança exercite seus dons de equilibrista.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.