Para muitos, as recentes confusões entre vereadores e munícipes durante as sessões da Câmara Municipal de Franca expuseram a fragilidade da segurança no local. Para outros, o prédio é público e é difícil conter a reação súbita que alguém possa ter.
Na última terça-feira, 8, o assunto veio à tona depois que uma confusão marcou o início da sessão. Um munícipe e um assessor se desentenderam na sala de café, que fica entre os gabinetes dos parlamentares no primeiro andar do prédio. Não havia nenhum segurança no local - apenas, um porteiro.
Recentemente, uma pessoa entrou no corredor da Câmara, entre o plenário e os gabinetes, e passou a agredir verbalmente o vereador Arroizinho. Em 2015, um munícipe encostou no parapeito do plenário para a discutir e provocar o ex-vereador Luis Carlos Vergara que, por sua vez, se reagiu desferindo um tapa no seu rosto.
O atual presidente da Legislativo francano, Donizete da Farmácia, disse nesta sexta-feira, 11, que vai fazer um estudo para melhorar a segurança no prédio. “Esse episódio que aconteceu nessa semana mostrou realmente que a Câmara é muito vulnerável na questão de segurança. Segurança 100% é difícil, mas temos que buscar melhorar, tanto para os funcionários e vereadores, quanto para o público. Já conversei com o vereador Della Motta (Podemos), acostumado à segurança e que tem experiência, para ajudar nessa questão (Motta é tenente da reserva). Ele vai convidar dois amigos especialistas no assunto para ir à Câmara elaborar um levantamento e ver o que podemos fazer”, disse Donizete.
“Por questão de engenharia (no plenário) os vereadores ficam de costas para o público, ficando expostos, de certa forma, principalmente quando a sessão é mais polêmica. Os seguranças são poucos e também têm limitação na função. Vamos tentar implantar um sistema com detectador de metal ou identificador facial, como existe na Assembleia Legislativa em São Paulo”, acrescentou o parlamentar.
O vereador Corrêa Neves Jr (PSD) já havia alertado sobre a fragilidade da segurança na Câmara na sessão da última terça-feira. “A Câmara tem um controle muito frágil. É importante que o legislativo tenha um acesso fácil, mas não pode significar um descontrole do acesso ou demora na ação diante de um imprevisto. A própria população que frequenta aqui pode ser envolvida numa hora dessas em alguma tragédia. Precisa estudar melhor algum tipo de identificação das pessoas que estão entrando no plenário, e como fica o acesso aos gabinetes”.
A Câmara Municipal informa que possui dois porteiros durante o dia (um no hall de recepção e outro no dos gabinetes) e um à noite. Às terças-feiras, quando ocorrem as sessões ordinárias, a Casa de Leis francana conta com o apoio de mais dois seguranças privados.
Apuração
A Câmara Municipal abriu um procedimento interno, que será conduzido pela Corregedoria, para apurar a confusão da última terça-feira, quando o munícipe Jefferson de Oliveira, conhecido como “mosquitinho”, acusou o assessor do vereador Marco Garcia, Odário Costa, de agressão. Jefferson alega ter recebido um soco no rosto desferido pelo assessor parlamentar quando estava na sala de café. No local não há câmeras de segurança. O Legislativo tem 30 dias para concluir a investigação interna.
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