Nos primeiros oito meses deste ano, Franca registrou 22 estupros contra crianças e adolescentes de até 14 anos de idade. Os números representam 58% dos 38 casos de estupro registrados na cidade até o mês de agosto. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e mostram uma realidade preocupante. Ao longo de todo ano passado foram registrados 46 casos, 56% deles contra menores de até 14 anos.
A violência sexual é um dos principais atos de violência, humilhação e controle sobre o corpo de uma pessoa. Franca é um reflexo do que acontece em todo Brasil. Em 2018 o Estado de São Paulo registrou 11.949 estupros, sendo que 72% envolviam vulneráveis.
De acordo com a delegada Cristina Bueno de Oliveira, da Delegacia da Defesa da Mulher de Franca, infelizmente esses números podem ser maiores. “Os números de estupros contra vulneráveis é (certamente) mais alto. Acreditamos que exista uma ‘cifra negra’ quanto a outros estupros. Essa ‘cifra negra’ acontece quando há o crime, mas ele não é notificado. Por vergonha, por medo... Infelizmente, o número pode ser maior e é preciso combatê-lo”.
O trauma dessa violência pode deixar sequelas por toda uma vida e causar sérios problemas de saúde para quem vivenciou este crime. Muitas vezes o medo do agressor, ou até mesmo do julgamento, prejudica na denúncia do crime.
A última pesquisa de vitimização do Brasil em 2013, realizada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública/Ministério da Justiça, registrou que apenas 7,5% das vítimas de violência sexual notificou as autoridades.
Segundo a delegada Cristina Bueno de Oliveira, algo precisa ser feito para que os números de estupro na cidade diminuam. “Falei com o nosso delegado seccional (Wanir José da Silveira Júnior) e o alertei dos números. A ideia é estruturar a delegacia da mulher, com psicólogos, assistentes sociais, para que possamos realizar também o trabalho preventivo. Para podermos orientar e prevenir esses casos. A educação sexual é uma ótima ferramenta para isso.” Somente no mês de setembro de 2019, 3 estupradores foram presos pela DDM de Franca.
O secretário de Saúde Municipal, José Conrado Neto, disse que na cidade não há um programa específico para previnir crimes de estupro em Franca. No entanto, o serviço de assistência social do município acolhe e presta atendimento às vítimas.
O que fazer?
Toda pessoa que sofrer alguma violência sexual pode procurar os órgãos públicos para ser atendido. De acordo com a diretora da Saúde Mental de Franca, Karina Arantes, existe um programa da prefeitura onde toda vítima é acolhida pelos Cras (Centro de Referência da Assistência Social) é encaminhado para o Naia (Núcleo de atendimento a infância e adolescência), onde é atendida por médicos e psicólogos. Ainda de acordo com a diretora, na cidade de Franca não há um programa especifico para a prevenção destes crimes.
Se você sofrer algum tipo de abuso ou souber de alguma pessoa que passa por isso, ligue.
Polícia Militar: 190
Polícia Civil, no prédio da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher): 3722-4711
Centros de Referencia de Assistência Social (Creas ou Cras)
Disque Denuncia:100
Serviços de saúde, como UBSs, PS e UPA
Conselho Tutelar
Ministério Publico
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