Omissão jamais!


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Há pessoas – e são muitas – que pagam altos preços ao longo da sua existência por não se calarem, por não se omitirem, por não levarem desaforos para casa, por não ficarem permanentemente em “cima do muro” e numa zona de conforto. Enfim, por se posicionarem sempre que for necessário, doa a quem doer.

Essas pessoas são às vezes taxadas, por alguns, de “chatos”, “brigões”, arrogantes, apenas e tão somente porque reivindicam com veemência e determinação os seus direitos e os dos outros, o seu espaço e o de outros, ou seja, por não se omitirem.

Evidente que não estamos nos referindo àquele tipo de pessoa açodada, imprudente, que quer fazer valer sempre a sua posição e opinião e que costuma agir mais de forma emocional do que racionalmente.

É óbvio que na vida a prudência é a melhor conselheira. Mas é bom não confundir prudência com omissão. O prudente posiciona-se no momento e da forma mais correta, já o omisso não se posiciona nunca, esperando assim ficar bem com todos. A prudência, sem dúvida, exterioriza sabedoria e firmeza de caráter, já a omissão fraqueza e insegurança.

Tentar agradar a todos talvez seja a forma mais categórica de, ao contrário, descontentar a todos, mesmo porque, o omisso, ao não se decidir, ele correrá o sério risco de outros decidirem por ele. O grande estadista americano John F. Kennedy teria dito certa vez que “não posso lhe dar a fórmula do sucesso, mas a do fracasso é querer agradar a todo mundo”.

Atributo importante de um verdadeiro líder é o de demonstrar aos seus liderados, sempre, poder de decisão e capacidade de se posicionar em todas as circunstâncias. Assim, em alguns momentos da vida, é melhor errar por ação do que por omissão.

Com efeito, devemos agir sempre com prudência e paciência, mas descer do muro, pelo lado que julgarmos mais adequado e correto. Porém, não se omitir jamais.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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