E se eu morrer...
Fico me perguntando
Depois de arrumar minhas tabelas e gráficos
E fazer planos
E se eu morrer...
Vou passar tanto tempo morta
Que é melhor viver
Nem que sejam os desenganos
Quero que você me leia por inteiro
Nua
Enquanto tira a minha roupa
Não aceito cafuné
Deixa pra defunta
Quero café amargo
Tilintar de copos e pratos
Música ao pé do ouvido
Estômago cheio
A cereja do bolo no meu bolso
As pedras da mochila jogadas na trilha
Desista
Há quem diga
Nem em sonho
Me oponho
Tenho um caminho
Sigo-o até certo ponto
Não copio
O da prima, o da tia, o da vizinha
Não quero nada além da minha existência
Penitência dos fracos
Matéria prima dos oprimidos
Bengala dos falidos
Tijolo para os bem- validos
Os dedos da menina são iguais aos do pai
Ele tocava piano
Ela
Não toca mais
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