Franca volta a viver uma proliferação de vendedores ambulantes espalhados pelas principais vias da cidade, principalmente na parte central, nas praça Nossa Senhora da Conceição e Barão. Por onde quer que um cidadão caminhe, há um ambulante pela frente vendendo diversos tipos de mercadorias, a maioria sem autorização da Prefeitura.
Segundo dados da Administração Municipal, 50 novos ambulantes tiveram suas situações regularizadas neste último semestre, e há cerca de 225 solicitações de novas licenças para o uso de áreas públicas para essa atividade. “A demanda é enorme e cresce a cada dia, por conta das dificuldades econômicas do País, impactando as pessoas. A fiscalização é diária em diferentes pontos da cidade”, disse Felipe Granzotti, chefe da Vigilância Sanitária, que passou a ser responsável pela fiscalização desde 2017.
Lojistas e comerciantes que pagam seus impostos e trabalham dentro da lei vêm questionando sobre a falta de fiscalização por parte da Prefeitura. “O setor conta com uma estrutura de servidores aptos a este trabalho que diariamente estão nas ruas, com a atribuição de fiscalizar toda a área de posturas da cidade. Mas pessoas que perdem o emprego e não conseguem se realocar no mercado de trabalho procuram uma forma de sustento, e muitos acabam se transformando em ambulantes”, acrescentou Granzotti, sem esclarecer a porcentagem do crescimento do número de ambulantes na cidade.
A reportagem foi até o Centro de Franca na tarde de quinta-feira, 5, para verificar se está havendo fiscalização e ouvir as pessoas. Segundo relatos de alguns próprios ambulantes, não ocorre fiscalização na área central há pelo menos dois meses. “Não vejo fiscais por aqui há muito tempo. Tenho um protocolo da Prefeitura para ficar aqui. Mas quando a Vigilância passa, temos que sair correndo e esconder nossas mercadorias. Preciso sustentar meus três filhos e trabalho direitinho, diferente de outros ambulantes que vêm de outras cidades”, disse Elaine Cristina da Silva, vendedora de frutas na praça Barão. “Quero regularizar minha situação, mas a Prefeitura não está liberando alvará, enquanto estamos convivendo com a concorrência de ambulantes de fora”, afirmou ela.
Um ambulante de nome Jerry Adriani, que vende meias (seis pares por R$ 10), disse que perdeu o emprego e precisa trabalhar para sustentar a casa. “Eu trabalhava de pintor e fiquei desempregado. Distribui 300 currículos, mas ninguém me chamou. Entrei nesse ramo porque preciso pagar aluguel, água e luz. Trabalho em paz, não mexo com coisa errada”.
Outro ambulante, que pediu para não ter seu nome divulgado, denuncia: “Tem muita gente de fora que vem aqui atrapalhar nosso trabalho, criando confusão e fazendo coisas erradas. Já presenciei uma perua com placas de Ribeirão Preto estacionar aqui descendo um monte de ambulantes pra vender tapetes”.
Ano passado, o prefeito Gilson de Souza (DEM) determinou a retirada dos ambulantes, informando que iria criar um projeto de regularização, mas ainda não há nada de oficial, com os pedidos de alvarás sendo represados na Prefeitura.
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