MORTE PREMATURA

Jovem que morreu na Ronan Rocha queria ser químico forense


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Vanderlei dos Santos Freitas Júnior morreu na terça-feira
Vanderlei dos Santos Freitas Júnior morreu na terça-feira

A vida do jovem Vanderlei dos Santos Freitas Júnior, 20, foi interrompida precocemente, após um trágico acidente na rodovia Ronan Rocha, na última terça-feira, 03. O estudante, que pilotava uma moto, foi atingido por um veículo, não resistiu aos ferimentos e morreu. Vanderlei cursava química na Unifran e sonhava em se tornar químico forense.

Segundo os familiares, para alcançar os seus sonhos, o jovem, que morava em Itirapuã, dava aulas de violão e colocava os ganhos em uma poupança. Vanderlei era visto como uma pessoa muito responsável com suas finanças, organizando todos os gastos, aceitando ajuda apenas para pagar a faculdade, atitude essa que fazia seu pai se sentir muito orgulhoso.

“Ele fazia questão de cobrir suas próprias despesas, era muito respeitador, não frequentava bares, não tinha nenhum vício, estava sempre rodeado de amigos e agradecia por tudo que tinha”, disse Vanderlei Freitas, pai do estudante.

Além dos planos individuais, o pai conta que Júnior também tinha metas com a namorada. “Eles estudavam juntos, tinham planos, iam fazer pós-graduação em São Paulo ou em São Joaquim da Barra. Os dois faziam economias para comprar uma casa, que óbvio eu ia ajudar, embora eles não quisessem”, contou o pai Vanderlei Freitas.

Bastante emocionado, o pai contou como era a relação com o filho e elogia a forma como ele levava a vida. “Ele era meu companheiro do dia a dia, o esperava chegar para jantarmos juntos. Um respeito e uma educação incomuns. Tinha o meu respeito recíproco”, disse.

Vanderlei também tinha três irmãos, mas apenas um morava junto com ele, já os outros dois moravam em São Paulo. No entanto, o pai afirma que a relação entre eles era muito boa, “não tem nem como comentar, nunca discutiram, sempre conversando, rindo, trocando ideias”.

O jovem universitário tinha também uma relação curiosa com o animal de estimação da família, uma gata, que estava sempre o procurando. “A gata que vive aqui em casa sempre o esperava chegar da faculdade. Quando ele entrava no quarto e se demorava um pouco para sair, ela arranhava a porta. Ele saia, pegava ela no colo e a levava pra comer ração. Hoje ela fica esperando por ele e quase não come”, contou.

Júnior, que fazia o trajeto no qual sofreu o acidente praticamente todos os dias, nem sempre ia de moto e, de acordo com o pai, era um excelente motorista e frequentemente era elogiado pelos condutores da pequena cidade de Itirapuã. “Ele era muito tranquilo, cativante, excelente motorista, muito cauteloso”, afirmou o pai.

A notícia do acidente, que repercutiu em vários lugares, comoveu os habitantes da cidade, que lotaram o velório para prestar suas condolências a família do estudante e a última homenagem ao jovem futuro químico. “Nossos parentes viajaram mais de dois mil quilômetros para estar aqui e passaram o dia todo no velório. Isso demonstra o quanto ele era amado por todos. Eram tantas pessoas que quase não couberam no local”, finalizou o pai.

O trágico aconteceu por volta das 19h na rodovia Ronan Rocha - sentido Franca a Itirapuã. Segundo a polícia, um Gol colidiu contra a moto pilotada pelo estudante. Na sequência, seguindo o mesmo percurso, uma caminhonete, para não atropelar o corpo da vítima que ficou na rodovia, desviou e bateu em um ônibus que tinha como destino também Franca e transportava 42 alunos que não sofreram ferimentos graves. A condutora da caminhonete também não se feriu. Vanderlei foi enterrado na quarta-feira, 4, à noite, no Cemitério de Itirapuã.

Motorista se apresentou dois dias depois do acidente

O homem que se envolveu no acidente que vitimou o estudante Vanderlei dos Santos Freitas Júnior, de apenas 20 anos, fugiu do local da tragédia e se apresentou somente dois dias após o ocorrido, na última quinta-feira.

Em entrevista à rádio Difusora, o vigilante Adriano Carlos Gonçalves, 40 anos, que é morador de Franca, afirmou que não viu a moto em que Vanderlei estava. “Eu estava chegando perto da ponte que dá acesso ao retorno, quando a moto passou na minha frente. Tentei desviar, mas não consegui. O carro capotou. Eu não pude fazer nada”, disse ele.

Comentários surgiram, após o acidente, que Adriano teria tirado as placas do veículo. Perguntado a respeito, ele negou. “Eu não tirei nenhuma placa, eu fiquei assustado com o pessoal que estava lá e ficou falando ‘você matou ele’ e fugi”, disse ele. “Estou muito abalado com tudo isso, não tive intenção, estou sofrendo muito com isso, eu nunca tinha me envolvido em nenhum acidente. Estou sentindo muito” finalizou.

Segundo o delegado Djalma Donizete Batista, que responde pela cidade de Itirapuã, o homem vai ser autuado por homicídio, mas somente a investigação apontará se será doloso (quando há intenção de matar) ou culposo (quando não há intenção).
 

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