Vida é uma gatinha de seis meses que marca com as patinhas todas as paredes das janelas da casa.
Ela faz tanta bagunça que às vezes penso em doá-la ao primeiro que se interessar. Mas, sabe, ela me faz levantar todos os dias, porque se não boto ração, ela destampa a miar sem parar.
A Vida é incontrolável, quantas vezes eu não quis fazer carinho e ela me mordeu! E outras tantas em que ela quebrou meus minimalismos decorativos: que raiva!
Ela é branca, amarela e preta e tem um olho de cada cor: um azul e outro castanho. A Vida tem mais que duas cores. Vocês sabiam que somente fêmeas tem três cores? Machos têm somente uma ou duas. Foi algo que aprendi lendo sobre a Vida.
Eu a vejo cada dia de uma cor. Acho a Vida a coisa mais linda. A minha é vira – latas, original.
É danada, viu? E vive a se esfregar na corrente da minha moto. Tanto que esses dias chegou com a cara que era branca – toda preta de graxa. Estava parecendo um borracheiro, um mecânico (risos).
Parece que desenharam um “x” na cabeça dela, e o focinho, que era rosa, pretejou.
Quando a vi, eu ri! Que estranho, eu era tão controladora!
No mesmo instante tive um delicioso “insight” que irei compartilhar com vocês: eu já me divirto com a Vida, e não quero mais doá-la a ninguém, muito menos controlá-la: afinal de contas a Vida tem vida própria não é mesmo?
Também não posso esquecer que é ela quem me acorda todos os dias.
Encerro essa “fábula” olhando as marcas dela nas paredes- não é sujeira... São só as patinhas da Vida. E a carinha branca já retornou, porque ela se cuida sozinha, eu só preciso mesmo alimentá-la e me divertir com ela.
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