Algum alento


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A semana se encerra e agosto termina  com pequeno mas expressivo alívio: o PIB cresceu 0,4%

 

Depois de mais um capítulo da série “Queimadas na Amazônia”, com empresas como Timberland ameaçando suspender a compra de couro do País; outra, norueguesa, querendo rever a importação de nossa soja; e um grande banco nórdico avaliando a possibilidade de cancelar a compra de títulos do Brasil, a notícia de ontem , de que o PIB cresceu 0,4 % no segundo trimestre, foi recebida com alívio pelos que torcem pela retomada da economia do país. Alívio porque havia certo temor de possível recuo, o que significaria recessão técnica, expressão usada quando se registram dois trimestres seguidos de queda na atividade econômica.

Também nesta sexta-feira saíram os dados de desemprego – um recuo de 12%, no trimestre encerrado em junho, para 11,8% no trimestre encerrado em julho, mostrando que a atividade econômica não está estagnada. Nos dois casos, o avanço é pequeno, mas infunde alguma confiança nas políticas implementadas.

Pelo que vêm dizendo especialistas, e o próprio Paulo Guedes, na pasta mais importante do governo, tudo a partir de agora pode evoluir, mas o será lentamente. Isso porque perdemos muito na crise que nos atingiu. Ainda estamos longe de recuperar tudo o que foi perdido na recessão da qual saímos em 2017. Juliana Trece, pesquisadora do Ibre/FGV, afirma que perdemos R$ 486 bilhões durante a crise de 2014/2016. E, até o primeiro trimestre deste ano, havíamos recuperado apenas R$ 148 bilhões.

Sobre os que perguntam sobre esse ritmo muito lento , e qual o remédio para o mal, os especialistas têm fornecido diagnósticos variados. O economista José Roberto Mendonça de Barros afirma que será preciso consolidar a situação fiscal e aguardar as concessões de infraestrutura. Seu colega Eduardo Gianetti aposta na venda de participações acionárias do BNDES para usar o dinheiro em obras públicas. Marcos Lisboa, presidente do Insper, defende a tese de que o País precisa se acostumar com taxas de crescimento abaixo de 3% ao ano.

Pelo que se percebe, o Brasil vai percorrer trajeto longo até que a retomada seja consistente. E isso só acontecerá quando pudermos atestar que foi reduzido de forma expressiva o contingente de 12,6 milhões de desempregados. O caminho passa pelas reformas estruturais, e isso está avançando, apesar das dificuldades políticas. É preciso torcer para que o Brasil consiga atravessar sem mais fraturas o período de turbulências que se forma no mundo, como a crise na Argentina, as ameaças bélicas entre irã e Estados Unidos e a devastação da Amazônia, uma pauta que ainda vai dar panos às mangas.


  

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