Adriel Cunha

'Eu desejo que Franca seja uma cidade mais humana, mais amiga dos idosos'


| Tempo de leitura: 7 min
O Fórum foi um trabalho muito árduo, denso, mas os frutos surgiram. Resultou em 144 diretrizes para o futuro da cidade
O Fórum foi um trabalho muito árduo, denso, mas os frutos surgiram. Resultou em 144 diretrizes para o futuro da cidade
Dono de um carisma ímpar, sempre precedido por um sorriso largo no rosto, Adriel Junior Domingues Cunha, ou simplesmente, Adriel Cunha, teve sua vida pautada em batalha, luta e superação. 
 
Adriel nasceu no dia 3 de setembro de 1987, em Franca, mais precisamente na Vila Santa Cruz. Foi criado pela sua mãe e avós maternos, pelos quais nutre um amor incondicional. 
Teve uma infância humilde. Sua grande paixão, o futebol, o levou a mudar radicalmente de vida. Ainda adolescente, foi morar em Barcelona, na Espanha, onde jogou pelo FC Santboià. Acabou se machucando e teve que voltar ao Brasil. Era a vida, lhe reservando outros caminhos...
 
Adriel é casado, formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, fez pós-graduação em Direito Público Constitucional Administrativo e Tributário e licenciatura em História. 
Hoje, aos 31 anos, está à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Franca. Foi o diretor-executivo do ‘Fórum Franca 2040‘, projeto inédito que tem o intuito de planejar a cidade para os próximos 20 anos. 
 
Sua outra paixão. a área acadêmica, tem o motivado a planejar caminhos para um futuro nesta área. Entre seus planos estão a realização de um mestrado, o doutorado e pesquisas no exterior que embasem uma tese sobre o processo de adoção no Brasil. Depois que cumprir a missão como secretário, Adriel pretende advogar e dar aulas de Direito.
 
Como foi a sua ida a Barcelona para jogar futebol? 
Barcelona foi muito mágico e especial. Eu tinha 18 anos, havia acabado de me mudar com a família para o Condomínio Servidor Público, na Avenida Orlando Dompieri. Como eu tinha a obstinação de ser jogador de futebol, no segundo dia morando lá, decidi ir até a quadra do condomínio. No caminho, encontrei uma pessoa chamada Lucas, que tinha a mesma idade que eu, e depois se tornou um grande amigo. Ele me falou que a mãe dele morava em Barcelona e conhecia o Ronaldinho Gaúcho, instantaneamente, eu, muito ousado e corajoso, falei: “Sua mãe pode me arrumar um teste no Barcelona”. E assim aconteceu, a mãe dele e o padrasto espanhol me pediram para gravar um vídeo jogando, eu gravei, mostrei o vídeo, eles se apaixonaram e me levaram pra lá, onde fiquei por 6 meses, inclusive na casa deles. Jogava como atacante do FC Santboià, time da terceira divisão da Espanha, mas no último dia da pré-temporada no clube, eu me machuquei durante um jogo, estirei o reto femoral e soube que demoraria muito tempo para me recuperar, então peguei os sonhos, guardei-os na mala e decidi voltar para o Brasil.
 
Além do futebol, o que mais aprendeu no exterior?
Separo muito a minha vida antes e depois da Europa, foi um divisor de águas. Aprendi muito lá, a cultura de respeitar o meio ambiente, dificilmente você vê alguém jogando lixo na rua, o respeito com os idosos, o respeito no trânsito. Eu sempre adorei ler, e trouxe alguns livros de Barcelona, os quais me auxiliaram muito no espanhol, hoje falo a língua fluentemente.
 
Como o Direito entrou em sua vida?
Como sempre fui muito apaixonado por livros, comecei a me identificar muito com o Direito. Prestei o vestibular da Faculdade de Direito de Franca, fui aprovado de primeira, e cada vez mais que eu me aproximava do Direito, mais eu me sentia conectado. O Direito desperta em mim a mesma paixão que o futebol, além do objetivo de trazer justiça pra sociedade, pois isto me comove e me toca.
 
Você fala com muito amor sobre sua família. Esta ligação forte se mantém até hoje?
Sim, sou muito ligado à minha família. Fui criado de maneira humilde, graças a Deus nunca passei por necessidades de subsistência, eu costumo dizer que eu vim de brasis como aquele de Machado de Assis, aquele lá debaixo. Machado de Assis pra mim foi o maior intelectual da história do Brasil, que também teve uma infância muito humilde. Me sinto muito honrado, porque a herança que eu trago de dignidade, honestidade, a que meu avô me deixou, é esta que eu quero passar pros meus filhos e netos.
 
De que forma foi primeiro contato com o Gilson de Souza?
Meu primeiro contato com o Gilson foi algum tempo após a minha volta ao Brasil, por conta do futebol. Eu queria retornar a Barcelona para jogar, e então o procurei, que na época era deputado estadual, para me ajudar a voltar. O Gilson, muito carismático, amistoso e bondoso, me disse para ficar no Brasil, que ele iria arrumar um time para mim. Eu fiquei, tentei fazer algumas avaliações em times do Brasil, mas como a recuperação da minha lesão não estava 100%, eu entendi que o futebol não dava mais para mim. E aí, eu comecei a me aproximar do Gilson, comecei a auxiliá-lo e desde então estamos juntos.
 
Como é estar à frente da secretaria de Assuntos Estratégicos? 
No início do mandato do Gilson, fui chamado a princípio pra auxiliá-lo no Gabinete e, com o desenrolar do fluxo da política, aos poucos a gente vai pegando um pouco do jeito da máquina, cheguei até a secretaria. Costumo dizer que administração pública é uma micro-odisseia diária, no setor onde me encontro hoje, tenho inúmeros desafios diários.
Sob a responsabilidade da minha secretaria, tenho a Copel (Compras e Licitação), o setor de Tecnologia da Informação, Controle Interno, Ouvidoria e Comunicação. Costumo dizer que a minha secretaria é ‘meio e fim‘, meio para articulação de assuntos do governo, e secretaria fim para alguns projetos que fazemos, entre eles, o de internet popular gratuita (wi-fi) para a população no Parque ‘Fernando Costa‘ e Terminal ‘Ayrton Senna‘, fim para o grande projeto do ‘Fórum Franca 2040‘.
 
Qual é sua avaliação a respeito dos trabalhos do ‘Fórum Franca 2040‘?
Primeiramente eu queria registrar a minha gratidão ao prefeito Gilson por ter me oportunizado a honra de fazer parte deste projeto histórico pra cidade e, de certa forma, revolucionário, e às mais de 150 pessoas que participaram. O prefeito teve a ideia de criar o Fórum, instituiu um decreto e através desta ideia, iniciamos o projeto. Foram doze comissões que discutiram vários assuntos de cunho importante para a cidade, como educação, saúde e cidadania, ajudando a planejar a Franca de 2040. Como diretor-executivo do ‘Fórum Franca 2040‘, participei de todas as audiências e foi um trabalho muito árduo, denso, mas os frutos surgiram. Digo que a plantação é opcional, mas a colheita é obrigatória, e a nossa plantação mesmo sendo opcional, plantamos muito, e a colheita resultou em 144 diretrizes para o futuro da cidade.
 
Cite algumas metas do Fórum que mais chamaram sua atenção.
Citarei algumas metas que considero ousadas, como efetivar a implantação das diretrizes do programa ‘Cidade Amiga do Idoso’, que é uma orientação da Organização Mundial de Saúde. Na Ação Social, desenvolver um projeto para inserir no mercado de trabalho pessoas em vulnerabilidade social. Do ponto de vista digital, tornar Franca uma smart city, ou cidade inteligente, hoje nós temos 400 km de fibra ótica espalhadas pelo município, queremos dobrar isto; implementar programas que o munícipe tenha acesso virtualmente a tudo relacionado à prefeitura, diminuindo assim a necessidade de ele vir até aqui. A criação de um centro industrial na cidade e a construção de uma arena multifuncional de esportes. 
 
Qual das 144 metas é a mais difícil de alcançar? 
A mais difícil, porém, não impossível, é a criação de um estacionamento subterrâneo, no centro da cidade, para que alivie a sobrecarga de veículos nesta região de Franca, onde por diversas vezes temos dificuldade de estacionar. 
 
Já existem projetos do Fórum sendo implantados? Quais?
Sim. Estamos engendrando esforços para implantar o programa ‘Cidade Amiga do Idoso‘, para que Franca tenha uma acessibilidade melhor para o idoso nos espaços públicos, no transporte, na moradia, a fim de promover a sua participação social, respeito e inclusão.
Ampliar o acesso à educação básica da população de 4 a 17 anos, que tenha algum tipo de deficiência ou transtorno envolvendo as suas habilidades, garantindo-lhes um sistema educacional inclusivo, com salas multifuncionais, escolas, serviços públicos e conveniados. 
 
Como será a Franca em 2040?
Desejo que Franca seja uma cidade mais humana, mais amiga dos idosos, com mais acesso à educação, e que a nossa contribuição, através destas 144 diretrizes, possa ajudar para que em 2040 estejamos melhores do que estamos hoje.
 
Como você enxerga a Saúde de Franca daqui 20 anos?
O governo Gilson de Souza contemplou a população com mais de 12 mil cirurgias eletivas. No total, já são 226 novos profissionais de saúde para Franca, incluindo 96 médicos, em 2040 esperamos que esses atendimentos estejam ainda mais salutares aos francanos. 
 
E a Educação?
Sobre a educação, além de termos atingidos nota 7.1 do Ideb (meta de 2021), esta gestão já contemplou mais de 2.500 crianças com vagas em creche, como nunca antes na história de Franca, e até 2040 esperamos que todas as crianças estejam assistidas e todas as metas do Ideb sejam atingidas. 

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