Diariamente cerca de 200 pessoas passam pelo PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) de Franca em busca de uma vaga de emprego. Os números evidenciam a dificuldade que o francano tem enfrentado para conseguir retornar ou mesmo entrar no mercado de trabalho. Com o amplo fechamento de vagas no setor calçadista - somente nos últimos cinco anos e meio foram mais de 12 mil vagas extintas - os candidatos têm buscado novos postos, mas têm esbarrado na falta de experiência e qualificação.
Formada em publicidade e propaganda e com inglês fluente, a jovem Magali Caroline de Jesus, 23, procura emprego há quase dois anos. Mesmo com um bom currículo e estágio na sua área de formação, ela passou apenas por quatro entrevistas ao longo desse tempo e mesmo em outras áreas não tem conseguido oportunidades. “As oportunidades para quem acabou de sair da faculdade são pequenas e em outros cargos, como balconista, algo que já tenho experiência, não me chamam por ter Ensino Superior. Estou pensando em tirar minha formação para ver se consigo alguma coisa. Será isso ou terei que me mudar para tentar algo em outra cidade”, desabafa.
Desempregada há seis meses e sem conseguir qualquer oportunidade ao longo desse tempo, Juliana Paludeto de Paiva, 42, decidiu fazer alguns cursos e há dois meses passou a trabalhar como manicure. Segundo ela, a grande fila de desemprego tem deixado a disputa por um trabalho muito mais difícil. “Hoje são muitas pessoas disputando uma mesma vaga. Por exemplo, candidatos com Ensino Superior disputando com pessoas que nem concluíram o Ensino Fundamental. A disputa ficou complicada”, disse.
“Tenho experiência como pespontador, auxiliar de produção e cortador, mas hoje faltam vagas no setor de calçados, infelizmente, o que já foi uma cidade calçadista hoje é um resquício disto. Tenho apenas o Ensino Médio e infelizmente me falta qualificação”, conta Reginaldo Carvalho, 45, desempregado há 1 ano e 8 meses.
Para a supervisora do PAT, Deboramar Oliveira, a escolaridade e a falta de qualificação têm dificultado o preenchimento de vagas em Franca. “Atualmente boa parte dos candidatos tem apenas o Ensino Fundamental e faltam pessoas qualificadas. Com o excesso de oferta de mão de obra, as empresas estão mais exigentes e a maioria das pessoas não se prepararam para este momento”, disse.
Hoje, de acordo com a supervisora, entre 15 e 20 pessoas disputam uma única vaga. O tempo médio de seleção é de 30 dias. Entre as vagas mais comuns, e também as que encontram mais dificuldades em serem preenchidas, estão ecommerce, vendas, telemarketing, mecânico e motorista.
Desenvoltura pode ajudar driblar falta de experiência
Entre as muitas dificuldades relatas por quem procura um emprego em Franca está a frequente necessidade de experiência para ocupar determinada vaga de trabalho. Segundo os especialistas consultados, a qualificação e o comportamento, além do interesse em aprender, são requisitos que podem suprir a falta de experiência. “A qualificação também é essencial e pode suprir isto”, disse Deboramar Oliveira, supervisora do PAT.
O mesmo é dito pelo consultor organizacional em recursos humanos Juscelino Neves Cintra, da Kriar Gestão de Pessoas. “A qualificação e a desenvoltura do candidato é determinante para conseguir o primeiro emprego. Mostre que fala bem, que é antenado, estuda e está atualizado”, disse.
Especialistas dão dicas para se destacar
Com um mercado de trabalho cada vez mais acirrado e empresas exigindo mais na hora de contratar, o candidato que sabe se comportar durante a entrevista de emprego sai na frente.
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