Ela cantou porque tinha garganta
Sorriu porque tinha lábios
Gritou porque tinha raiva
Transou porque tinha vontade
Arrependeu-se porque tinha estômago
Errou porque tinha humanidade
Apontou o dedo porque tinha vaidade
Esvaziou-se porque explodiu
Caiu porque tentou
Dormiu porque se entregou
Casou porque o sino tocou
Traiu porque a água parou
Chorou porque transbordou
Teve filhos porque intuiu
Xingou porque era a puta que pariu
Amou porque a água era de rio
Rezou porque se agachou
Esmagou-se porque não se viu
Rodou porque era circulo
E começou de novo porque queria pão e circo
Encheu-se
Encheu-se
Encheu-se
De culpa
Porque era mãe
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