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Em nome da fé


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 As formandas Marcela Santana, Fabiana Souza e Maria Aparecida, com a freira Blandina
As formandas Marcela Santana, Fabiana Souza e Maria Aparecida, com a freira Blandina

Ajudar os pobres. Essa importante missão, levada pelas irmãs da Fraternidade dos Pobres de Jesus Cristo - ou Fraternidade O Caminho - às ruas de Franca, vem transformando a vida de muitas pessoas na cidade.

De forma amável e com vestimentas marrons que remetem a São Francisco de Assis e a Santa Clara, a freira Blandina e as formandas (jovens que estão em processo para se tornarem freiras) Marcela Santana, Fabiana Souza e Maria Aparecida da Silva Azevedo receberam a reportagem do Comércio para contar sobre o trabalho desenvolvido junto aos pobres.

Localizada no Centro da cidade, a Casa da Fraternidade abriga atualmente 24 irmãs, sendo 6 freiras e 18 formandas. A freira Blandina conta como é a rotina da casa. “Pela manhã, rezamos a Liturgia das Horas. Durante o decorrer do dia, cuidamos da casa, do meio-dia às 15h fazemos a exposição ao Santíssimo. Também realizamos atendimentos em casas e recebemos o povo”.

Mantida através de doações, a casa conta com a colaboração da população para continuar de pé e, principalmente, para dar continuidade ao trabalho realizado com pessoas que estão em situação de rua e usuários de drogas.

Todas as doações de alimentos recebidas são levadas às sextas-feiras no período noturno até as pessoas que estão nas ruas. “Fazemos duas rotas, uma a pé nas ruas do Centro e outra de carro nos lugares mais distantes, como em viadutos e rodovias. Além de levarmos o alimento, levamos o alimento espiritual, através das orações”, disse a formanda Marcela Santana, de 24 anos.

A “Pastoral de Rua”, como este trabalho é chamado por elas, também está de portas abertas para a sociedade, no geral, que se interessar em participar. “As pessoas que quiserem nos acompanhar serão bem vindas. Geralmente saímos às sextas por volta das 20h”, afirma a freira Blandina.

Ainda de acordo com ela, o trabalho é importante pois toca a dimensão do físico e da alma das pessoas que estão nesta condição. “A gente quer cuidar dessas pessoas, para que elas se sintam amadas e não excluídas, e mostrar que é possível que elas mudem de vida”, disse.

A Casa da Fraternidade também abre as portas para as pessoas em situação de rua. “Oferecemos em nossa casa de segunda à quinta-feira o café da manhã e, à noite, nós damos o alimento para eles levarem”, completou Marcela.

Tratamento oferecido vai além das ruas

O trabalho desenvolvido vai além das ruas. Aqueles que demonstram a vontade de sair desta condição são encaminhados pelas irmãs para uma entrevista e, posteriormente, para chácaras, que oferecem o tratamento terapêutico com duração de 9 meses. O espaço que abriga os homens está localizado na Rodovia João Traficante, km 15, no sentido para Ibiraci, é coordenado por 4 freis e conta com 30 vagas (atualmente todas completas).E o espaço que abriga as mulheres fica em Cubatão, que hoje conta com 17 acolhidas e é administrado pelas irmãs de lá. O tratamento nas chácaras é permeado por 3 pilares: disciplina, trabalho e oração, explica a formanda Fabiana Souza, de 27 anos. “Cada pessoa tem o seu ofício na chácara, umas cuidam das hortas, outras dos animais, além da rotina diária de oração”.

A irmã Maria Aparecida da Silva Azevedo conta que, inclusive, o trabalho é estendido às famílias das pessoas que estão em tratamento, principalmente as crianças. “Desenvolvemos o ‘Vinde a Mim’, que é um trabalho feito com crianças para estimular a prevenção, para que elas possam ter discernimento e escolher um bom caminho para trilhar em suas vidas”, afirma.

Marcela complementa que quando acontece de não ter vagas na chácara terapêutica masculina, é feito o contato com o Abrigo Provisório ou Centro Pop para a acolhida destas pessoas até que elas possam finalmente ser encaminhadas para o tratamento.

O trabalho de escuta também é considerado importante pela irmã Fabiana. “Nós vamos ao Abrigo Provisório durante toda a semana para ajudar os pobres que lá se encontram, ouvir a história deles, saber sobre sua rotina, cortar os seus cabelos e as suas unhas”.

A Fundação Casa de Franca também recebe a visita das irmãs todas as segundas-feiras para realizar a escuta, onde se reúnem com os menores de idade para cantar e louvar a palavra de Deus.

Segundo a irmã Blandina, o bispo Dom Paulo, da Diocese de Franca, vê o trabalho desenvolvido por elas com muita alegria. “Ele é muito grato por nós estarmos na Diocese dele, ele nos dá a benção e a permissão, além de nos acompanhar espiritualmente. Tudo o que fazemos na Diocese de Franca tem o conhecimento dele”, disse.

As pessoas que quiserem fazer doações para a Fraternidade O Caminho podem entrar em contato pelo telefone (16) 3017-7990.

 

 

 


 

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