SOBREVIVÊNCIA

Grupo de refugiados venezuelanos encontra abrigo e apoio em Franca


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Évelin, Marlena e Alisson vivem junto a outros familiares em uma pequena residência no bairro Santa Bárbara. Francanos têm ajudado os refugiados
Évelin, Marlena e Alisson vivem junto a outros familiares em uma pequena residência no bairro Santa Bárbara. Francanos têm ajudado os refugiados

Todos os dias, centenas de venezuelanos procuram exílio no Brasil fugindo, principalmente, da fome. Refugiados, eles encontram nas mais diversas cidades brasileiras abrigo para sobreviver e tentar mudar seus destinos. Há dois meses uma dessas famílias tem como morada uma casa no bairro Santa Bárbara. Marlena Coromoto Camargo, 62, junto com o filho Rafael, 29, o neto Alisson, 18, a afilhada Évelin, 31, e os filhos dela, Namhet Alejandro, 10, Daniel, 6, e Thiago, de 4 meses, dividem os pequenos cômodos da residência, todos eles mobiliados com a ajuda de francanos.

“Era terrível... Fome, falta de trabalho, um governo autoritário. Por muitas vezes não havia nada para comer, era uma tristeza sem fim”, conta emocionada, Marlena, que na Venezuela era agente de crimininalística aposentada e recebia o equivalente a R$ 40 por mês através de um benefício. O valor, segundo ela, não era suficiente nem para comprar leite. “A fome era rotina”, completou.

Depois de anos de sofrimento, há aproximadamente dois meses, Marlena colocou alguns poucos pertences em uma pequena mala e saiu da cidade de Maturín, Monagas, junto com parte dos familiares e partiu de ônibus com destino a Santa Elena de Uairén, na divisa com o Brasil. Também de ônibus, desta vez lotado de venezuelanos em busca de exílio, atravessaram a fronteira até um alojamento em Boa Vista, capital de Roraima. Todo o trajeto durou cerca de 18 horas. Por lá ficou dois dias até pegar um avião e ir rumo a Manaus (AM) e só depois seguir viagem até chegar em Franca. Para trás, na Venezuela, deixou a filha, o genro, dois netos e o ex-marido. O outro filho, junto com o neto, está refugiado no Peru.

Segundo Marlena, foram meses para conseguir juntar o valor necessário para deixarem o País. Em média, é preciso pagar cerca de R$ 1,5 mil para atravessar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil em segurança. Para conseguir o valor foi preciso vender o pouco que possuía na sua terra de origem.

“A crise começou a se agravar em 2015, mas em 2017 ela chegou ao auge do sofrimento. Todos magros e passando necessidade. Enquanto em 2015 ainda existia comida, mas sem dinheiro, em 2017 não havia mais comida, nem para quem quisesse comprar”, explica Évelin. Ela chegou a passar um ano no alojamento de Boa Vista, antes de retornar para a Venezuela, buscar os filhos e voltar com Marlena e os outros definitivamente para o Brasil. Ela tem ainda outro filho, de 13 anos, que vive com familiares na Colômbia.

Saudade

Antes do final do governo e morte de Hugo Chávez e o início da crise econômica/política que atinge a Venezuela, Marlena e a família tinham uma vida tranquila. Era possível manter uma rotina, os adultos trabalhavam e as crianças estudavam normalmente.

“Antes da crise, com minha aposentadoria comprava minhas coisas, sapatos, roupas, comida e chegou um momento em que não era possível comprar nada. Apenas em 2017 emagreci 15 quilos devido à fome que passava. Hoje as roupas que uso foram ganhadas aqui. O pouco que tinha coloquei em uma mala e vim para o Brasil”, conta Madalena.

“Nunca fomos a favor do Chavismo, mas enquanto Chávez estava no poder pelo menos não nos faltava nada. Com o Maduro a situação ficou infinitamente pior e todos sofrem. Hoje lá tem comida, mas ninguém consegue comprar para comer”, disse Évelin, que antes de fugir para o Brasil trabalhava como caixa em uma lotérica da Venezuela. Enquanto ficou no alojamento em Boa Vista, ela trabalhou em lanchonetes, restaurantes, vendendo picolé e bolos e em um salão de beleza até conseguir dinheiro para buscar os filhos.

As duas afirmam conviver diariamente com a falta que sentem dos familiares que ainda vivem na Venezuela. Agora, Marlena tem o desejo de trazer a filha e os netos, além do genro e do ex-marido, para o Brasil. Ela também busca que o filho que mora com o outro neto no Peru venha para o País. Évelin, que está fazendo um teste de trabalho em uma sorveteria, quer trazer para o seu lado o filho que está na Colômbia.

 

Doações

Segundo apuração do Comércio, atualmente ao menos oito famílias de refugiados venezuelanos vivem em Franca. Com ao menos seis pessoas por família, tratam-se de homens e mulheres desde bebês com quatro meses até aposentados com mais de 60 anos. As famílias vivem em casas alugadas, com o pagamento custeado por uma comunidade, e contam também com o auxílio de doações para alimentação, roupas, medicamentos, entre outros.

Os interessados em ajudar as famílias que se abrigam em Franca, seja com alimentos, roupas, calçados e até valores que poderão ajudar a trazer os familiares que ficaram na Venezuela podem entrar em contato pelo telefone (16) 99174-2396 e falar com Norma de Fátima Barbosa, uma das voluntárias que trabalham de perto auxiliando as famílias.

 


Colaborou Thaís Busqueiro


 

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