Manchete do Comércio de ontem mostra que nos últimos 6 anos, Franca perdeu 11,5 mil empregos na indústria calçadista. Não foram demissões, que no futuro poderiam permitir alguma readmissão, mas vagas que simplesmente deixaram de existir nas fábricas da cidade. É como se mais de 10 mil empregos tivessem desaparecido em menos de uma década. É um número alarmante.
Segundo o apurado pela reportagem, de 2013 para 2014 foram extintas 1.735 vagas. Em 2015, o ano em que mais vagas sumiram, foram 3.125 cortes; 2.267 em 2016; 391 vagas em 2017; 2.370 em 2018 e 1.621 neste ano. Fica fácil entender a quantidade de pessoas, habituadas a trabalhar na produção do calçado, que estão atualmente fora do mercado de trabalho, procurando uma recolocação.
Em todo o Brasil, o IBGE estima que existam 13,3 milhões de desempregados. A boa notícia é que no primeiro semestre de 2019 foram criadas no país 408 mil empregos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o melhor índice desde 2015.
Ainda assim, falta muito para que a economia nacional volte a crescer para garantir algum respiro para o trabalhador brasileiro.
Em Franca, um complicador ainda maior, é a dificuldade que a economia da cidade tem demonstrado para se reinventar, diante do encolhimento da indústria calçadista. Outros setores da cidade, como o comercial e o de serviços não têm conseguido absorver toda a mão de obra remanescente do setor industrial. E não há, ainda, outro setor produtivo que esteja suprindo o vazio deixado pelas tradicionais fábricas que, apesar de não garantirem altos salários, geravam um número expressivo de vagas.
Historicamente, Franca sofre com um PIB (Produto Interno Bruto) muito abaixo de cidades do mesmo porte. Enquanto por aqui o PIB fica na cada dos R$ 6 bi, cidades como Piracicaba, ostentam um índice de 21 bilhões; São José do Rio Preto, 14 bilhões; Bauru, 12,7 bi. Ou seja, toda a riqueza produzida em Franca chega a ser menos da metade de cidades até menores.
Passou da hora das autoridades da cidade, empresariais e políticas, se unirem para estudar o cenário com profundidade na busca de uma solução. Afinal, os números não deixam dúvidas de que a situação da economia local é grave e de que os trabalhadores de Franca precisam de ajuda.
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