Uma das principais geradoras de vagas de empregos formais na cidade, a indústria calçadista extinguiu 11,5 mil postos de trabalho ao longo dos últimos seis anos. Em maio de 2013, ano em que o setor concentrou o maior número de vagas, eram 29.816 funcionários. Neste ano, no mesmo mês, eram 18.307, uma redução de 11.509 postos de trabalho. Os dados são do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) com base no Caged e dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), da Secretaria de Trabalho.
A queda no número de vagas foi gradativa ao longo dos seis anos. De 2013 para 2014 foram extintas 1.735; em 2015 foram 3.125 vagas a menos (período com maior perda de postos); 2.267 em 2016; 391 vagas em 2017; 2.370 em 2018 e 1.621 neste ano. Os números comparam sempre os meses de maio de cada ano.
Para o economista Hélio Braga Filho, a situação do setor calçadista em Franca é reflexo da recessão econômica enfrentada no País nos últimos anos. “As exportações de calçados na cidade caíram bastante ao longo das últimas décadas. Com a crise, a venda no mercado interno não foi capaz de suprir essa demanda o que tornou a produtividade baixa e, consequentemente, gerou demissões. Quando enfrentamos situações como esta, toda a cadeia produtiva é afetada”, explicou.
O economista afirma ainda que é muito difícil que as vagas extintas sejam recuperadas, já que a indústria calçadista de Franca hoje é menos competitiva. Para ele, a cidade vive em compasso de espera que o governo tome medidas para destravar a economia brasileira, mas a recuperação será lenta. “A indústria mantém um papel muito importante no mercado de trabalho da cidade, mas nos últimos anos houve um crescimento considerável do setor de serviços, incluindo uma grande diversificação do que é oferecido”, disse.
Com 45 anos, o pespontador Rogério Oliveira trabalhou a maior parte da sua vida em uma fábrica de calçados. Ele faz parte das estatísticas e perdeu o trabalho em 2016, depois que a empresa demitiu dezenas de pessoas. “Me vi sem trabalho e era a única coisa que eu sabia fazer. O meu salário e o da minha esposas eram a base de sustento da nossa casa. Ela também foi demitida e a opção que encontramos foi abrir em casa uma banca de pesponto, mas o número de serviços não é grande e tivemos que nos adaptar”, disse.
Expectativa da indústria para 2º semestre é positiva
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