Antônio Jorge Alves de Souza, 42, certamente, é um nome desconhecido em Franca. Mas, se ele soltar aquele vozeirão potente, der a risada fácil e dizer “É, eu bem”, todo mundo vai saber quem é. O carismático Tony Hill é uma das personalidades mais populares de Franca e região. Além de radialista e vereador, é locutor de rodeio, pizzaiolo, cantor sertanejo e imitador nas horas vagas.
Tony Hill nasceu em Feira de Santana (BA) no dia 28 outubro de 1976. Ainda adolescente, foi para São Paulo. Na década de 90, mudou-se para Itirapuã. Trabalhou na roça coando terra para encher laminado, que é o saco onde se planta o café, e transportou lavradores para trabalhar em plantações. Também quebrou o galho como chapa de caminhão de depósito de material de construção e como lavador de carro.
Casado, pai de dois filhos e membro da Igreja Assembleia de Deus, Tony Hill tornou-se famoso como radialista. Em Franca, passou pelas rádios Difusora, Três Colinas e TV Record. Desde 2007, apresenta programas diários e, aos domingos, na rádio Estúdio 1 FM, que faz parte do Sistema Hertz de Comunicação.
Com a popularidade conquistada, decidiu entrar para a política. Primeiro, tentou ser deputado estadual. Não conseguiu se eleger, mas a expressiva votação revelou que tinha chances na carreira. Em 2016, tornou-se vereador pelo PSDB ao receber 3,6 mil votos.
Tony Hill foi o nome mais falado nos bastidores políticos de Franca durante a semana. Na terça-feira, foi indicado como o novo líder do prefeito Gilson de Souza (DEM) na Câmara Municipal. Horas depois, foi expulso do PSDB. O vereador recebeu o Comércio para falar sobre a polêmica em que se envolveu. É ele, bem.
Como começou sua história com o rádio?
Eu sempre gostei muito de ouvir rádio, principalmente, AM. Herdei o vozeirão do meu pai, ele tinha a voz mais grossa que a minha. É um dom que Deus me deu. Quando ainda tinha de 14 para 15 anos e morava em São Paulo, eu trabalhava como sonoplasta, que é o cara que solta as músicas na rádio. Depois, passei a falar a hora nos programas. Felizmente, me tornei radialista e tive o privilégio de trabalhar em várias emissoras de rádio. Durante quatro anos, apresentei o programa Viola de Prata, na TV Record, para 110 cidades. Tenho muito orgulho do que eu faço. O rádio é minha vida. Estou político, mas o rádio é minha vida, é o que sei e o que gosto de fazer. Graças a Deus, acordo todos os dias às 5 horas com alegria e brincando. Não fico com a cara fechada. Este, é meu jeito de ser. Aos domingos, quando as pessoas estão almoçando, estou lá no rádio com o maior prazer. Amo o que eu faço.
Como nasceu o seu bordão “É eu, bem”?
Estava trabalhando na rádio Difusora e pensava em ter um programa em emissora de FM para expandir o meu nome. A rádio Três Colinas me convidou para fazer um programa aos domingos. Pensei: ‘preciso de um bordão para arrebentar a boca do balão’. Eu já usava o “É eu, bem” em brincadeiras nos bastidores, mas nunca tinha levado para o rádio. Decidi fazer a experiência, levei para o rádio, bati em cima firme e o povo “engraçou”. Virou um bordão.
Que você é radialista e vereador, todos sabem. Como é essa história de que também é pizzaiolo?
Sou pizzaiolo especializado em forno a lenha. Antes de ser pizzaiolo, eu era forneiro. Não adianta nada a pessoa fazer a pizza e não saber assar. É necessário ter a técnica. Sou especializado em massa fina. Faço de tudo, molho, ingredientes e a pizza. Tenho um forno em casa. Modéstia à parte, meus filhos sempre pedem para que eu faça.
Qual é a pizza recomendada pelo chef Tony Hill?
A minha preferida é a portuguesa: vai presunto, muçarela, ervilha, cebola, orégano e azeitonas.
Radialista, vereador, pizzaiolo e imitador também?
Sim, sempre tive facilidades em fazer imitações. Imito o Silvio Santos, o Lombardi, o Maguila, o Lula. Sempre que aparecia uma voz nova, eu pegava e procurava imitar. Tenho facilidade grande de ouvir as pessoas e sair imitando. É um dom que tenho desde criança. Meu pai me levava para ajudá-lo nas obras e eu ficava falando dentro das latas e os serventes e pedreiros paravam para ouvir minhas imitações. Meu pai acabou que parou de me levar, pois não ajudava nada e ainda parava os pedreiros (risos). Se for preciso, canto umas modas sertanejas também. Também sou locutor de rodeio e fiz várias festas nas cidades da região. É uma característica que trago lá do Nordeste. O baiano tem disto, são muito versáteis. Trago esta alegria, que é um dom natural, lá da boa terra.
Quando você decidiu entrar para a política?
Sempre trabalhei nos bastidores de campanhas. Gravei vinhetas para candidatos a prefeito e apresentei comícios na região. Como adquiri popularidade e tinha o sonho de entrar para a política com o objetivo de ajudar as pessoas, resolvi arriscar. Minha primeira disputa foi em 2014, quando participei as eleições para deputado estadual. Posso dizer que saí vitorioso, pois recebi 13,1 mil votos, o que não é fácil. Fui o terceiro candidato de Franca mais votado. Dois anos depois, saí para vereador e fui eleito com 3,6 mil votos. Vou continuar na política, trabalhando, procurando inovar e fazer o que é melhor para o povo. Quando você sabe o que quer, e eu sempre soube, você vai pagar o preço por isto, mas chegará lá.
Você foi eleito pelo PSDB, pediu votos para o então candidato a prefeito Sidnei Rocha, que foi derrotado por Gilson de Souza. Mesmo sendo de um partido de oposição, passou a votar em sintonia com a bancada governista. Na última terça-feira, foi anunciado como o novo líder do governo na Câmara. Horas, depois, foi expulso do PSDB. Como foi este processo?
Foi tudo muito rápido. Por volta das 9h30, chegou a carta do gabinete me oficializando como o líder do prefeito. Fui à tribuna e comuniquei aos nobres colegas, embora já tivesse falado em off com todos eles. Quando voltei do almoço, o Adermis (presidente do PSDB) encontrou comigo no corredor e falou que teríamos uma reunião às 17 horas e que Sidnei Rocha iria participar também. Fiquei um pouco preocupado e pensei: ‘o chefe vai estar aí e o bicho vai pegar’. Conversamos no plenarinho da Câmara. Vieram o Sidnei, o Wagner Artiaga, o Reginaldo Emídio, o Donizete da Farmácia, o Adermis e o Kaká.
Como foi a reunião?
Foi o julgamento e a sentença. Dentro de uma hora eu já estava expulso. Considerei como uma grande injustiça, pois nunca havia feito nenhum acordo com o partido. A direção não fechou questão com os vereadores e não havia dito nada no sentido de que, quem votasse contra, estaria fora. Sempre votei com o prefeito e, agora, de uma hora para outra, eles vêm e decidem me expulsar. Como foi uma decisão do colegiado, respeito, mas achei que foi uma coisa muito sumária e desnecessária. Não era preciso ser feito desta forma. Mas, se aconteceu, vou pagar o preço pela minha escolha. Tenho certeza da minha convicção. Aceitei ser o líder do governo para ajudar a população de Franca. Se eles olham para o partido, é lamentável para eles. Entrei para fazer o melhor para Franca. Contribuo como vereador. Agora, como líder, vou poder contribuir muito mais.
O Gilson de Souza está com uma alta rejeição. Os dois líderes anteriores - Hilton Sérgio e Pastor Otávio - renunciaram ao posto pelas dificuldades em defender os interesses do prefeito na Câmara. Você não teme ficar queimado e se prejudicar politicamente?
Eu poderia ficar quietinho apenas como vereador, mas sempre gostei de desafio. Acredito que eu possa ajudar o Gilson. Não sou o pai da razão, nem tenho bola de cristal para saber se poderei ajudar 100%, mas vou me dedicar para fazer o melhor e darei minha contribuição. Muitos me elogiaram pela minha coragem e outros me criticaram e disseram que sou louco por aceitar ser líder do governo, mas acredito que estou certo. Se o Gilson estivesse bem, outros vereadores iriam ser líderes, mas ninguém quer pegar para ajudar a consertar. Ou aponta o dedo para acabar de quebrar ou então vira as costas. Vou para ajudar e, lá no final da história, vamos ver que a contribuição do Tony Hill fez a diferença.
As críticas que está recebendo por se aliar ao prefeito e a expulsão do PSDB fizeram com que você se arrependesse de assumir a liderança do governo?
Não, jamais, tanto é que o Adermis e o Artiaga disseram: ‘Tony Hill, renuncie à liderança, vamos dar um tempo para você renunciar’. O Sidnei Rocha me aconselhou que o cargo é complicado e que o governo não está bem, mas falei que havia dado minha palavra ao governo e que vou continuar como líder.
Você pretende ir à Justiça para tentar reverter sua expulsão?
Ainda está tudo muito recente e não tenho uma decisão a respeito. Entreguei o caso para os meus advogados. De acordo com o que o PSDB se manifestar, vamos ver o que é melhor para nós.
Você teme perder o mandato por infidelidade partidária?
Meus advogados estão preparados para qualquer possibilidade. O PSDB apenas disse que estou expulso, mas não falou em pedir o mandato. Olhando nos meus olhos e falando perante a todos, o Adermis disse: ‘nós estamos só te expulsando. Você continua no cargo de vereador’.
Você vai para qual partido?
Ainda não sei. Somente no dia seguinte à minha expulsão, quatro partidos me ligaram e disseram que estão com as portas abertas para mim. Oficialmente, ainda não me desliguei do PSDB, não assinei nada. Qualquer decisão será tomada com muita precaução.
Quais partidos te convidaram?
Prefiro não falar neste momento. Alguns pediram para eu não divulgar por enquanto.
Como fica sua situação na rádio? Além de ser vice-presidente do PSDB e de ter votado pela sua expulsão, Sidnei Rocha é seu patrão...
Em relação a isto, está tranquilo. Hoje mesmo (quinta-feira), ele fez uma reunião na emissora e deixou claro que política é política e que trabalho é trabalho. Eu, Tony Hill vereador, atendo às pessoas no meu gabinete, nas ruas e vou nos bairros. Mas, lá na rádio, não recebo ninguém e não falo de política nos programas que apresento. O próprio Sidnei me ensinou. Tão logo fui eleito, fui na rádio dar uma entrevista e ele me falou: ‘não faça como outros fizeram e se deram mal. Não misture política com o rádio, que é sua profissão. Nem misture família. Separe família, trabalho e política’. Assim estou fazendo. Continuo trabalhando na rádio normalmente. Não muda nada.
Quais são seus planos políticos futuros?
Continuo mais firme do que nunca na política. Pretendo disputar outras eleições. Penso em ser deputado. Tudo o que está acontecendo é um grande aprendizado.
Qual o sentimento em relação aos companheiros de PSDB?
Não guardo mágoas, não fico frustrado e não estou chateado com o PSDB. Não estou aborrecido com o PSDB, nem com os membros do partido. É uma questão política, não é pessoal. Continuo amigo do Adermis, continuo falando e cumprimentando. Não tem a nada a ver uma coisa com outra. Fiz o que considerava como certo e respeito a decisão deles. Acima de tudo, creio muito em Deus e sempre coloco Deus na frente de tudo o que vou fazer. Só digo para a população que estou do lado do povo. Escolhi aceitar ser líder do governo pensando no que é melhor para o povo, não no que é melhor para o partido. Se o governo for bem, a população vai bem, os vereadores vão bem, tudo vai bem. Quando você só olha para o partido, fica complicado. Ser oposição por oposição não ajuda em nada. Mesmo sendo líder, vou criticar e cobrar quando achar que estiver errado. Não estou no cargo para fazer a vontade do prefeito, mas para lutar pelo o que entendo ser o melhor para a nossa população.
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