Jair Bolsonaro tomou posse no cargo da presidência da República há seis meses. Montou ministérios escolhendo nomes de sua confiança. Uns logo saíram, por razões diversas, e foram substituídos por outros. Todos deveriam estar agindo em suas pastas para corresponder ao que deles espera o Brasil, que, segundo os bolsonaristas, “está acima de tudo”. Mas nada de efetivo os brasileiros têm visto, a não ser na área da Economia. O ministro Paulo Guedes, honra lhe seja feita, tem usado todas as suas energias no sentido de ver sancionada a reforma da Previdência, cujo Relatório foi aprovado na quinta-feira pela Comissão Especial da Câmara e agora vai a Plenário.
O apoio do Presidente da República à Reforma foi apenas retórico na maior parte do tempo, e direcionado ao público que o segue nas redes sociais. Durante os últimos meses evitou dialogar com representantes do Legislativo, algo que poderia ter feito e bem, pois, afinal acumula décadas de experiência na Câmara, embora sempre no núcleo do chamado “Baixo Clero.”
É certo que depois de um longo período de alheamento em relação à reforma, ele entrou nas negociações, cedendo nos últimos dias às pressões dos policiais e tentando garantir um tratamento preferencial para as chamadas carreiras da segurança. Conseguiu um acordo para melhorar a proposta, ouviu um ‘não’ dos próprios policiais, e voltou à carga, com um apelo à bancada ruralista.
Diante de tantas dificuldades, a sensação que se tem é de que estamos em compasso de espera, o que chega por vezes a ser exasperante. A maioria dos brasileiros aguarda a aprovação da reforma da Previdência, na expectativa de que isso acontecendo outras questões vitais sejam enfim colocadas em pauta.
Há muito a fazer para que o país volte a crescer com a geração de empregos; a educação consiga cumprir seu papel de fornecer elementos para que gerações saiam do atraso; os doentes pobres sejam atendidos com decência; os brasileiros voltem a sonhar com um país que está fazendo a necessária depuração de corruptores e corruptos.
Para mobilizar os neurônios em favor de soluções para um país mais equilibrado nas finanças e mais justo socialmente, o presidente deveria deixar de hostilizar de forma genérica deputados e senadores; de atacar a ideologia de gênero; de discutir a liberação de armas; de defender o afrouxamento das leis de trânsito. Etc.
A imprescindível criação de empregos, a reforma política, a da educação, a das tributações por uma sociedade mais justa. Etc. Tudo jaz na névoa das coisas prometidas em campanha e logo esquecidas. Sancionada a lei da reforma da Previdência, é preciso que as energias sejam focadas nesses tópicos para que o País avance mais e rapidamente.
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