COMBUSTÍVEL

ANP determina divulgação de preços de compra e venda de gás pela Petrobras


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Os preços de contrato com as distribuidoras de gás canalizado também deverão ser divulgados pela Petrobras
Os preços de contrato com as distribuidoras de gás canalizado também deverão ser divulgados pela Petrobras

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) aprovou resolução determinando que a Petrobras passe a divulgar os preços de compra e venda de gás natural no país, com o objetivo de garantir ao consumidor maior transparência sobre os valores que paga pelo combustível.

Em outra resolução, o órgão regulador ampliou as exigências para a divulgação de preços dos combustíveis, obrigando também as importadoras a divulgar os valores e incluindo novos combustíveis além da gasolina e do diesel.

As duas medidas são parte de um esforço da agência para melhorar a transparência na formação de preços de combustíveis no Brasil, sob o argumento de que a abertura dos dados melhora as condições de competição e a atração de investimentos.

De acordo com o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, o objetivo é dar subsídios para que a sociedade compare os preços de venda por produtores e importadores às cotações internacionais, permitindo a fiscalização sobre as políticas de preços das empresas.

Ele ressaltou, porém, que a defesa de preços atrelados às cotações internacionais permanece. "É importantíssimo que tenhamos preços que justifiquem investimentos e reduzam nossa dependência de importações", afirmou, em entrevista nesta sexta (5) para detalhar as medidas.

No caso do gás, a Petrobras será obrigada a divulgar os contratos com as distribuidoras de gás canalizado e os valores que paga para comprar a fatia de seus sócios na produção de petróleo. As regras para a divulgação serão estabelecidas em até 60 dias.

"No gás, a gente nem imagina o quanto paga. [A formação de preço] passa por relações contratuais que todo mundo desconhece", disse o diretor da ANP Cesário Cecchi. "É a abertura da caixa", completou.

A estatal é hoje praticamente a única fornecedora de gás natural no Brasil. Embora empresas privadas sejam responsáveis por cerca de 25% da produção nacional, elas preferem vender suas fatias à Petrobras por falta de acesso à infraestrutura de transporte.

De acordo com a agência, a Petrobras compra o gás de seus sócios a cerca de R$ 15 por milhão de BTU (unidade de poder calorífico) e vende ao mercado por cerca de R$ 40. O governo quer impedir esse tipo de operação, para que as empresas privadas passem a competir com a estatal pelo mercado.

Os preços de contrato com as distribuidoras de gás canalizado também deverão ser divulgados pela Petrobras. A ideia é criar parâmetros para que novos fornecedores tenham condições de disputar mercado.

Os altos preços do gás natural sustentam o apoio da indústria brasileira à proposta do governo Bolsonaro para quebrar o monopólio estatal, batizada de Novo Mercado de Gás. No primeiro trimestre, o valor médio de venda à indústria é o maior desde que os dados começaram a ser compilados, em 2012.

A escalada afeta a competitividade em setores altamente dependentes do produto e já leva empresas a planejar a troca por outros combustíveis, como a lenha, por exemplo.

LÍQUIDOS

No caso dos combustíveis líquidos, além de determinar que importadores também divulguem seus preços, a ANP incluiu na lista de produtos com divulgação obrigatória o gás de botijão, óleo combustível, asfalto e gasolina e querosene de aviação.

Assim como no caso de gasolina e diesel, os preços deverão ser divulgados por ponto de entrega. Nesses dois casos, a Petrobras já publica em seu site os valores referentes a 35 pontos pelo país. A divisão geográfica foi determinada pela ANP após a greve dos caminhoneiros que parou o país por duas semanas em maio de 2018.

A agência divulga preços de referência em cinco portos brasileiros e pretende ampliar a cobertura geográfica à medida que o volume de informações crescer.

Na ponta do consumo, a agência pretende ainda obrigar os postos de gasolina a informar preços de venda ao consumidor final, com atualizações sempre que houver reajuste. Até o fim do ano, segundo Oddone, a agência lançará um aplicativo com os preços pelo país.

"A transparência por si só não faz preço, mas pode homogeneizar e gerar sinais locacionais", disse Cecchi. "Ela constrange também", acrescentou Oddone.


 

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