Uma moto atingida na traseira por um veículo que não respeitou o sinal de “Pare”. Um pedestre atropelado por uma moto que não obedeceu a sinalização de um semáforo. Um motorista atingido por um carro que estava acima da velocidade permitida. Sonhos interrompidos. Planos frustrados. Rotinas completamente modificadas. Esta é a realidade de centenas de vítimas que tiveram suas vidas drasticamente alteradas no trânsito francano.
Ao longo dos 12 meses de 2018 foram registradas 36 mortes no trânsito de Franca - somente em ruas e avenidas da cidade. Já acidentes de trânsito com vítima, desde leves as mais graves, foram 989, quase 3 colisões todos os dias. Neste ano, em apenas quatro meses, foram 316 acidentes e oito mortes. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
A seguir, o Comércio conta a história de dois jovens, Sabrina Parizi, 26 e Thiago dos Santos de Souza, 27. Ambos sofreram acidentes no ano passado e hoje contam com cuidados 24 horas.
Sonhos interrompidos
Quarta-feira, 16 de outubro de 2018: 19h21 Sabrina fala com a mãe, Sandra Cristina Parizi Santos, 49, logo depois de sair da empresa onde trabalhava como visual merchandising, dali seguiria para casa, onde morava com o marido, na Vila Rezende. Apenas dez minutos depois o telefone da diarista tocaria novamente. Desta vez uma funcionária da Santa Casa informava do acidente da filha que havia sido atingida por um carro no cruzamento das ruas Couto Magalhães e General Osório. De moto, Sabrina foi atingida por outro veículo que não teria respeitado a sinalização. Em estado grave, ela foi diagnosticada inicialmente com um traumatismo pulmonar. Uma parada cardiorrespiratória e um politrauma resultaram em três meses de internação, um deles no CTI (Centro de Terapia Intensiva), e outras três internações desde a primeira alta, em janeiro deste ano, além de três procedimentos cirúrgicos na cabeça.
Hoje Sabrina vive em uma situação de coma vigil, popularmente conhecido como estado vegetativo, não fala, não se movimenta sozinha e precisa de cuidados durante 24 horas por dia. Desde o acidente sua vida e de toda a família nunca mais foi a mesma. Para cuidar da jovem, que no dia seguinte da tragédia viajaria para um treinamento para gerente na rede onde trabalhava, sua mãe e irmã, Paula Parizi Santos, deixaram o trabalho e agora se dedicam integralmente aos cuidados de Sabrina. O irmão mais velho voltou a morar com a família e ajuda nas despesas de casa.
“Amor.” É assim, com esta palavra, que a mãe e a irmã justificam os cuidados que dedicam diariamente a Sabrina desde o acidente. “Em muitos momentos pensamos que perderíamos a Sabrina, desde o acidente ela não recobrou a consciência, mas para a fé nada é impossível. Ela tem melhorado pouco a pouco, com pequenos sinais. Manter a esperança e fé é algo que buscamos e sabemos que o maior remédio para ela é o tempo”, explica Paula.
“Minha filha era uma menina cheia de sonhos e é triste ver como tudo mudou por um acidente. Em um minuto ela estava comigo no telefone, fazendo planos para o jantar. Ela desligou, pegou a moto e se dirigia para casa como todos os dias. Poucos minutos depois eu recebia a notícia que nenhuma mãe quer receber, desde então tem sido uma luta diária. Para dar as melhores condições para ela, para manter os cuidados e a fé de que em breve ela melhorará”, disse emocionada a mãe da jovem.
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Thiago junto com os pais, a esposa e a filhinha de dois anos. O jovem caiu da moto em dezembro de 2018
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