Falta de Educação


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Grosseiro, infeliz e de mau gosto. Assim se poderia adjetivar o comentário que Abraham Weintraub postou em seu perfil na rede social na manhã de quinta-feira: “No passado, o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?” É inacreditável que um ministro da Educação possa escrever isso. O comentário se refere aos 39 kg de cocaína encontrados em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que fazia parte da comitiva de 21 militares que acompanha a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Japão.

Causa também surpresa pensar que o tempo do ministro, em lugar de ser utilizado para cuidar dos problemas imensos de sua pasta, seja destinado a postar mensagens que em nada contribuem para fazer alavancar a educação no país. Aliás, a educação que este senhor recebeu parece não credenciá-lo em nada a ocupar o posto que lhe foi oferecido pelo presidente da República.

Um dos desafios que não têm sido enfrentados relaciona-se à diretriz conferida à alfabetização das crianças brasileiras. Como amplamente divulgado em meados de abril, naquele mês, por meio de decreto presidencial (uma das formas preferidas de governar de Jair Bolsonaro) estabeleceu-se como único o método fônico, base para a política nacional a ser implementada na área. Valorizando a aprendizagem a partir da associação entre um símbolo (a letra) e seu som (fonema), para depois chegar às palavras, o fônico se opõe ao global, adotado na maioria dos países desenvolvidos. Neste último, ancorado na corrente construtivista, o caminho é inverso: o processo parte de textos e experiências sobre as funções da linguagem para chegar às letras e aos sons, com foco na compreensão da leitura.

Muitos pedagogos consideram o fônico ultrapassado. Outros admitem que possa fazer parte do processo de alfabetização desde que não seja o único. A opção por um só método em país de extensão, complexidade e diferenças como o nosso, não leva em conta as condições específicas de cada região. O mais sensato seria adequar diferentes metodologias e assegurar liberdade às redes de ensino dos Estados e municípios.

Em resposta às críticas recebidas a respeito, o MEC alegou que a decisão se baseou em boas experiências internacionais. Entretanto, há os que sugerem que, na verdade, ela responde a uma crença dos que seguem a cartilha direitista de Bolsonaro, segundo a qual o global seria “fruto de uma preocupação exagerada com a construção de uma sociedade igualitária, democrática e pluralista”(sic). Assim, apesar de afirmar que os Estados e municípios terão liberdade de adotar outros métodos em suas redes de ensino, frisa que só receberão ajuda financeira federal os que derem prioridade ao fônico, o que não deixa de ser uma forma de coagir.

Os meses correm céleres. O primeiro semestre de 2019 já se encerra. Em 2020 teremos o início de outro ano letivo. O que aguarda as crianças brasileiras que serão alfabetizadas? 

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