Lá se foi o primeiro semestre de 2019. No primeiro trimestre deste ano faltou emprego para 28,3 milhões de brasileiros segundo dados do IBGE. Órgãos internacionais não param de reduzir a previsão do crescimento na economia do país. Índices cada vez mais assustadores de violência urbana tomam conta do cenário e a onda de otimismo que marcava o início do novo governo já vai escapando da memória .Ministros e secretários do governo federal são trocados de forma sucessiva e a relação com o congresso vai de mal a pior.
No último sábado, Bolsonaro chegou a reclamar que o Legislativo passa a ter “superpoderes” e que quer deixá-lo como a “rainha da inglaterra”, que reina, mas não governa. A relação conflituosa de Bolsonaro com senadores e deputados apesar de não ser surpreendente, abre a uma questão no mínimo curiosa. Afinal, ele foi deputado federal por mais de duas décadas e conhece como poucos a sistemática da casa.
Como ele, que já esteve pelos corredores do Congresso durante anos, não sabe uma maneira de estabelecer uma relação de articulação positiva?
O diálogo entre governo e Congresso é alvo de reclamações constantes dos parlamentares e projetos importantes, principalmente a reforma da Previdência, continuam sem data para serem votados.
Diante do quadro, o presidente Jair Bolsonaro continua virando memes na internet. Na última semana, uma cena patética do maior comandante da nação ganhou as redes sociais com Bolsonaro, ao lado de Dória, fazendo flexões em um evento da polícia militar. Na mesma semana, o presidente ainda foi visto fazendo gestos que imitam armas em plena marcha para Jesus. E sua família, em vez de se ater aos assuntos que melhorem a vida dos brasileiros, ainda se atém a manter debates rasos via redes sociais com membros do próprio governo.
As últimas aparições públicas de Bolsonaro mostram uma mudança de humor. O presidente tem utilizado um estilo mais “paz e amor”, numa tentativa de sair da onda de problemas que marcaram os primeiros meses de mandato. Pessoas próximas avaliam que a mudança acontece depois das manifestações pró-governo que melhoraram o clima no Palácio. Resta saber se com a melhora do clima, ações efetivas para aquecer a economia, diminuir o desemprego e mudar o cenário desalentador serão tomadas. Tudo isso passa por uma mudança radical de postura e de disposição ao diálogo entre as diferentes instâncias de poder.
O Brasil precisa caminhar. Mais que posts, o país exige soluções e atitudes dignas de um presidente.
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