As manhãs são claras por aqui
Como ocorre em todo outono
O ar é fresco e filtra a luz
O céu exibe alegre o seu anil.
Nel blu, dipinto di blu
bradaria outrora minha voz juvenil
que hoje apenas acalanta
a criança que resiste em mim.
No trajeto de todos os dias,
entre sol, brisa, azuis e pessoas,
vejo velhinhos imóveis nas calçadas.
Banho e café tomados- é evidente,
tenho certeza que se me aproximar,
vou lhes sentir um perfume persistente:
- como o das roseiras que suportam o clima
e florescem nessa época altaneiras.
Os velhinhos costumam responder ao meu aceno
e me cumprimentam com serenidade.
Uns se sentam em cadeiras de madeira,
outros naquelas a que chamam “de rodas”,
alguns se ajeitam com muletas ou andadores,
mas nenhum tem companhia humana ao lado.
Quem os pôs ali, depois virá buscá-los- adivinho.
E essa solidão temporária me incomoda
Os raios solares que aquecem mãos e pés
também desvelam cabelos ralos
e iluminam faces enrugadas
onde não pairam mais sorrisos
- nem no olhar, nem nos lábios.
No silêncio onde parecem imersos
em que pensam os velhinhos?
- me pergunto ensimesmada.
Talvez apenas no correr das horas
ou no inverno já batendo à porta.
Por enquanto há um resto de calor,
azul no céu, luz alargada
e rosas- é o que importa!
A manhã é bela e calma
Traz consigo a quietude apropriada
para resgatar estações passadas.
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