Daniel Franchini Lima, 33, é formado em publicidade e propaganda com especialização em ciências do consumo aplicado. Estudou três anos na Itália e tornou-se especialista em design de produto.
Filho de Daniel Belmiro de Lima, um dos fundadores da Francal, ele assumiu o lugar do pai e ocupa o cargo de diretor do Conselho Consultivo da Francal Feiras. Há dois anos, está na operação de todo o portfólio da empresa e, ao lado de Abdala Jamil Abdala, o presidente, gere a máquina, que promove 15 feiras diversas ao longo do ano no Brasil, entre elas, a Francal, que teve a sua 51ª edição durante a semana passada no Expo Center Norte em São Paulo.
Na semana da Francal, a empresa operada por Daniel realizou outras três feiras simultâneas. Entre uma reunião e outra, o diretor recebeu o Comércio e falou sobre as transformações pelas quais a Francal tem passado para atender às exigências do mercado. Ele também revelou planos de realizar uma feira com a marca Francal em Franca.
A Francal deixou de ser realizada no Anhembi e se transferiu para o Center Norte. Este ano, foi realizada em um formato compacto e ampliou os serviços prestados aos compradores. Por que a feira vem passando por constantes mudanças?
Na verdade, a gente veio acompanhando o mercado. O DNA da Francal é de fomentação de mercado. A mudança do Anhembi para o Center Norte era uma necessidade. O pavilhão do Center Norte é climatizado, muito mais moderno e dá exatamente a oportunidade de fazer uma feira mais compacta, que atende melhor o visitante. A nossa mudança maior é no ponto de fomentação de mercado. A Francal sempre foi uma conexão entre indústria e varejo com o intuito do negócio, de gerar vendas, de gerar networking. Identificamos, de dois anos para cá, que o setor de varejo calçadista tem sofrido muito por conta da alteração do comportamento do consumidor. No final do ano passado, iniciamos um projeto de voltar o conteúdo para o varejo em relação às soluções para essas dores que o setor está sentindo de mudança de comportamento de consumo. Também avaliamos o que as mudanças de comportamento de consumo fazem nos pontos de vendas físicos. Na feira deste ano, tivemos uma área de dois mil metros quadrados chamada 100% Varejo, onde havia o conteúdo das mudanças aplicado à uma loja multimarca calçadista com arquiteto de varejo e todos os fornecedores para que este varejo se atualize. Para nós, é muito importante que o varejo do calçado se atualize e que a Francal seja a plataforma onde eles possam buscar informação, conteúdo e conhecimento.
O objetivo de levar conhecimento aos lojistas foi atingido?
Sem dúvidas. Este é o nosso posicionamento. Cada vez mais temos que fomentar o varejo. Hoje, a forma de interação da cadeia calçadista mudou. Antigamente, a indústria produzia, dava um push para o varejo, que dava um push para o consumidor. Cada vez mais isto vai se inverter. O push vai vir do consumidor. Então, a cadeia toda tem que se preparar para entender qual é o comportamento dele, quais são as ações, quais são os produtos que ele compra para o varejista acertar na compra, acertar na experiência que ele está oferecendo para o consumidor dentro da loja, com o auxílio da indústria. A indústria vai entender qual é o recorte de consumidor para o varejista que ela vende e fazer uma venda melhor. Estamos acreditando no fortalecimento da cadeia via varejo.
Esta tendência mostra que houve uma inversão: ao invés da indústria impor o produto, ela terá que se adaptar aos anseios dos consumidores?
Exatamente. O consumidor mostra qual é o produto que ele deseja consumir. A informação hoje é completamente difundida, ela é mundial. O consumidor está muito empoderado.
O que o consumidor está procurando?
Quando a gente fala de varejo físico em geral e o consumidor tem informação o tempo todo na palma da mão, ele procura, cada vez mais, marcas com as quais ele se identifica com o life style e que ofereçam, no ato da compra, engajamento e experiência. O que é engajamento e experiência? Quando você vai em um ponto de venda físico, você não vai, necessariamente, por conta do produto. O consumidor busca tudo o que cerca o produto. Ele não vai mais na loja só para comprar o sapato. Se a loja oferece um café, se tem restaurante, alguns momentos de show. Existe uma interação onde o ponto físico se torna cada vez mais coletivo. Então, não é só uma loja de calçados. É uma loja de calçados que oferece um leque de opções. Este é o engajamento que o consumidor procura. Existia aquele mito de que o e-commerce iria acabar com o varejo físico, mas, na verdade, a coisa é complementar. Cada vez mais, o consumidor entende que ele é o canal de compra. A busca pelo produto pode começar pelo smartphone ou computador, mas o consumidor pode ir à loja física para experimentar este produto, ter o contato humano. A loja pode ser um grande showroom, onde vou experimento e recebo o produto em casa. Há uma quebra de paradigma no ato da compra. A tendência é o omnichannel, a multicanalidade, que é a capacidade de atender a um consumidor de forma eficiente através de qualquer ponto de contato. Enquanto Francal, estamos oferecendo para o mercado algumas luzes e caminhos para que o varejo e a indústria se preparem para o comportamento do consumidor que está por vir.
Ou seja, a loja física não vai acabar por causa do comércio eletrônico, mas terá que se inovar...
Sim, é isto. A loja física vai se transformar, ela tem que oferecer muito mais experiência. Contato humano nunca vai acabar, isto é muito importante. Grandes marcas que nasceram no digital, como a Amazon, investem cada vez mais em pontos de varejo físico. Elas pegam a experiência do digital e colocam na loja física, onde ocorre a interação com o contato humano. São experiências que se complementam.
O que o consumidor deve levar em conta na hora de comprar um calçado: preço, conforto ou beleza?
Ele deve levar em consideração a experiência. Conforto é algo muito importante, mas a experiência e identificação com a marca são relevantes para o consumidor. A partir do momento em que você acha uma marca que você se identifica com o life style, com um calçado que te veste bem e uma marca que te traz uma experiência diferente, experiência de compra, que esteja disponível em todos os canais, acredito que isto seja o que o consumidor busca hoje.
Qual avaliação você faz da 51ª edição da feira, que foi encerrada quarta-feira em São Paulo?
Conversei com vários expositores para entender se houve a percepção de um novo posicionamento. Ficamos bastante satisfeitos. O trabalho que fizemos no produto nos últimos dois anos foi intenso e ele foi percebido na feira. Recebemos muitos elogios dessa nova posição de fomentação de varejo. Em relação a negócios, tivemos mais visitação do que tivemos no ano passado, em números quantitativos. A percepção dos expositores foi de aumento de vendas. Não foi um ano fácil por conta da política econômica do País. Como todos os brasileiros, ainda estamos sofrendo e aguardamos sempre o melhor. Mas, continuamos investindo e empreendendo. Como diretor da Francal, estou feliz. Entendemos que este caminho que optamos por seguir é sólido. É um posicionamento que vai beneficiar muito a indústria, o varejo e o setor calçadista como um todo.
O que o setor calçadista pode esperar da Francal nos próximos anos?
Vamos continuar fortemente com este posicionamento no varejo, levando informação, fortalecimento da cadeia de negócios e inovação. Estamos sempre em movimento e o mercado pode esperar coisas boas da gente. Todos os produtos que desenvolvemos, são pensados para que haja maior geração de riqueza e negócios para a cadeia calçadista. Acreditamos em uma fomentação maior em todas as camadas, para o industrial, varejista e para todos que trabalham no setor.
Há uma reivindicação em Franca para que a Francal volte para a cidade ou que faça uma grande feira na cidade para movimentar a nossa economia. Esta possibilidade existe?
Nosso modelo de feira comercial, como temos, está mudando muito no mundo. Dentro da empresa Francal, temos, hoje, um braço de desenvolvimento de novos produtos, que sejam mais compactos, para conseguirmos ir nos mercados produtores, como Franca, e ofertar uma pílula do que acontece aqui em São Paulo e ofertar para aquela região, para aquele setor. Então, fazer este tipo de feira é uma possibilidade que pensamos muito. Pretendemos estar presentes, não só em Franca, mas em todos os polos. O projeto ainda está em desenvolvimento. A ideia é fazer um modelo completamente diferente de feira. É algo que está na nossa vista, mas o produto não está pronto. A grande vontade é levar novamente um produto de muita relevância para a cidade. Franca foi a cidade que fez com que a empresa nascesse, temos um carinho muito grande pelo setor calçadista, pois foi onde nossa empresa nasceu. Nosso cuidado com Franca é muito grande. Temos uma aproximação com a cadeia produtiva de Franca. Com certeza, nossa vontade é ter uma feira na cidade e estamos trabalhando em um modelo e na viabilidade de colocar um produto deste na cidade. Nosso afeto por Franca é muito grande.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.