Em janeiro de 2018, Mateus Santos Serafim, que na época tinha 16 anos, voltava do seu treino de basquete no Sesi pedalando uma bike pela Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, quando foi vítima de um acidente de trânsito que mudou sua vida. Segundo ele, um carro o fechou e Mateus, ao tentar desviar, caiu dentro do Córrego Cubatão. “Diante de tudo o que aconteceu, o que mais me deixou triste foi que o motorista nem sequer parou para me ajudar”, diz ele.
O jovem sofreu traumatismo craniano, ficou 33 dias internado na UTI do Hospital São Joaquim e passou por diversas cirurgias. As sequelas do acidente afetaram sua coordenação motora e Mateus perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo. No período de um ano, o rapaz passou por muitas sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e hidroterapia. “Ter perdido os movimentos do lado esquerdo do corpo foi muito difícil, pois tive que parar de jogar basquete em alto rendimento, tive que aprender a escrever com a mão direita e, para comer, foi difícil ter coordenação, conta.
No entanto, sua paciência e um tratamento psicológico o ajudaram na recuperação. “Deus foi me mostrando as respostas, testando a minha fé. Fui aprendendo a estar presente e mais perto da minha família, ver quem são meus amigos de verdade, estar sempre atento às circunstâncias do mundo e aprender a conversar com maturidade”. Mateus readquiriu 93% da sua coordenação motora e continua fazendo fisioterapia para recuperar o movimento da mão esquerda. Ainda está afastado das quadras para jogos oficiais, mas tem jogado em campeonatos internos.
Imprudência
A manicure e podóloga Carolina Aparecida dos Reis, de 30 anos, moradora do Jardim Portinari, passou por uma situação parecida, em que foi vítima de uma imprudência no trânsito há pouco mais de um mês. Segundo ela, seguia pela avenida Eliza Verzola Gosuen sentido avenida Major Nicácio de moto e levava uma amiga na garupa, quando, de repente, um carro que vinha por uma das ruas que cruza a via, não obedeceu à sinalização de parada obrigatória.
Carolina conta que ao colidir, o motorista do carro ficou desesperado e prestou socorro a ela e a sua amiga. A manicure quebrou o fêmur esquerdo, enquanto sua amiga teve apenas ferimentos leves, ambas foram levadas para a Santa Casa de Franca. “Fui operada pelo ortopedista Daniel Machado, que colocou uma haste de metal no meu fêmur”.
O processo de recuperação da cirurgia está sendo muito doloroso física e psicologicamente para Carolina, que no começo não podia por os pés no chão e ficava o tempo todo deitada. “Sou muito independente e morava sozinha, agora me vejo morando na casa dos meus pais e dependendo dos cuidados deles”. Mas ela disse que sua evolução tem sido constante. “Já estou colocando os pés no chão e andando com o auxílio de muletas. O médico disse que vou voltar a andar normalmente”, se anima.
A manicure iniciou as sessões de fisioterapia no Hospital do Coração, voltou à rotina de trabalho e disse que aproveitou o momento de recuperação para refletir. “Uma das coisas que falei no hospital é o quanto eu sou amada, pois as pessoas ao meu redor estão sempre preocupadas, perguntando sobre o meu estado de saúde”. A amiga que estava na garupa virou o seu “anjo da guarda”. “Ela está me dando muito força, quando preciso resolver algumas coisas, ela faz por mim”.
Capotou
A história de Natália Aparecida de Araújo, de 33 anos, moradora do Jardim João Liporoni também se assemelha as outras duas e aconteceu há 10 anos. “Eu estava com meu filho e meu ex-marido de carro, seguindo pela avenida Hugo Betarello, quando o outro veículo não respeitou a parada obrigatória em uma rotatória e veio a colidir conosco. O carro capotou por diversas vezes”, conta.
O filho e o ex-marido tiveram apenas ferimentos leves, mas Natália não teve a mesma sorte. Ficou em estado grave com traumatismo encefálico e lesão no tronco cerebral. “Na época, os médicos disseram que se eu sobrevivesse ficaria vegetando”.
Ela conta que permaneceu quatro dias em coma e uma semana internada, e que foi retomar a memória dois meses após o ocorrido. “Perdi os movimentos do lado esquerdo do corpo, não andava, não falava, tive depressão porque não conseguia cuidar do meu filho e perdi o meu emprego”.
Demorou quase um ano e muitas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia para que Natália conseguisse retomar a fala e a mobilidade. “Quem me viu naquela época e me vê agora fala que eu morri e nasci de novo”, diz.
Até hoje, Natália sofre com as sequelas do acidente “meu equilíbrio é afetado, sinto tonturas constantes, sinto fortes dores do lado direito do corpo e meu olho esquerdo ficou debilitado”.
A francana disse que encontrou na produção e venda de trufas e bombons, uma forma de recomeçar e afirma que é necessário tirar uma lição positiva do acidente. “A gente aprende a valorizar cada segundo da vida, a gente é capaz de superar, basta a gente querer. Temos que viver intensamente, sempre sem medo de ser feliz”.
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