Você é único e especial. Mesmo.


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É muito comum, quando nos apresentamos a desconhecidos, nos definirmos por nossas profissões, somos advogados, jornalistas, médicos, servidores públicos. Quando nos referimos a outra pessoa, no entanto, ampliamos a quantidade de características para definir alguma referência: a moça loira, o rapaz alto, que usa óculos ou até de qual família ou grupo aquele indivíduo pertence.

Somos únicos. Imaginar que cada um dos 7,53 bilhões de habitantes do planeta é um ser diferente de todos os outros leva a uma verdadeira admiração a complexidade da existência. E mais. Acredita-se que 100 bilhões de pessoas viveram e morreram nos últimos 50 mil anos. Todas elas são, ou foram, totalmente únicas. Ou seja, há entre nós humanos uma quantidade impressionante de variações.

Segundo a ciência, nosso genoma contém cerca de 3,2 bilhões de letras de código de DNA; 0,5% disso seria 16 milhões de letras. O código possui quatro letras, então o número de combinações possíveis é igual ao número 4 elevado a 16 milhões. O resultado dá um número de possíveis genomas muitas e muitas vezes o suficiente para que todas as pessoas que já existiram tenham DNAs diferentes. Assim, probabilidade de alguém ter exatamente o mesmo genoma que você é zero.

Mas não é só o DNA que comprova o que nos difere. Segundo estudos, o modo de andar de cada ser é ligeiramente diferente do outro; nossas digitais não se repetem porque, além do fator genético, pequenas alterações na gestação criam um desenho na ponta de nossos dedos específico para cada ser. A ciência também ensina que o coração de duas pessoas nunca bate exatamente no mesmo rítmo. Existe uma assinatura eletromagnética para cada coração. E mais. Nossa voz, nossos olhos, o formato das orelhas, a frequência das ondas cerebrais e até mesmo o cheiro é absolutamente individual. São elementos inclusive usados nos novos e tecnológicos sistemas de identificação.

Ou seja, você é especial. Mesmo. Como você, ninguém mais. Então, porque tem sido cada vez mais difícil para a sociedade de um modo geral, aceitar diferenças de hábitos, crenças, características e, principalmente, opiniões?

Um exemplo atual é a discussão sobre a criminalização da lgbtfobia. Crimes contra honra, de assédio e toda sorte de crimes contra a integridade física das pessoas já estão previstos na legislação vigente. Por que, então, é tão importante o debate sobre o assunto?

Simplesmente porque, apesar de termos dentro de cada átomo que nos forma, a essência da diversidade, para muitos ainda é muito difícil aceitar que outro indivíduo possa amar de uma maneira diferente de um padrão. Essa diferença acaba por provocar uma ira capaz de gerar uma violência terrível. Dados do Grupo Gay da Bahia, um dos mais antigos do Brasil, mostram que em 2018, 420 pessoas foram mortas simplesmente por serem LGBTs. Perderam suas vidas por uma característica, um único aspecto que os diferenciava.

Mas, afinal, somos mesmo diferentes. Voltemos ao início deste texto.

 

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