Quem casa quer casa. Assim diz o ditado, que devo discordar. A casa não é elemento físico, sua morada reside onde você está. Mudo o ditado para me salvar: quem casa quer asas para voar.
Ledo engano, casamento é renuncia, doação. Se você quer liberdade não casa não.
Continuo discordando, não enxergamos as coisas pelo mesmo ângulo. Liberdade não é suicídio: beber até morrer, transar até doer, prazer por puro prazer.
Liberdade é entrega e aceita combinação.
Combinamos de não perdermos os amigos, de caminharmos de mãos dadas, mas também de soltarmos as mãos. Combinamos que o outro pode ter segredos, isso faz parte da nossa existência, combinamos de enfrentarmos os medos, e de perdermos, por vezes, nossa decência.
Combinamos de sermos leais com os nossos sentimentos e não com a sociedade, de sermos leais com o parceiro e não com a grama do vizinho que late.
Combinamos de pular, gritar, gemer, suar, correr com asas de quem pode sonhar. Combinamos de alçar voos de admiração pelo outro, sem precisar nele grudar.
Combinamos de nos amarmos, sempre e irredutivelmente, enquanto houver chama. Combinamos de reacender fogo, sempre que houver lenha.
Combinamos com os olhos, com o corpo nu, com os pés no chão. Combinamos sem bolso, carteira, amuleto, combinamos de repartir o pão.
Tão contraditório é o amor, mais contraditória ainda é a liberdade, ele parece que não foi feito para ela, aparenta ter mais idade.
Passarinho na gaiola fez um buraquinho, voou, voou, voou, voou.
O amor que gostava tanto do bichinho chorou, chorou, chorou.
Pássaro de fogo responde de lá: asas para que te quero, senão para voar?
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.