Este domingo deve ser marcado por manifestações pró-Bolsonaro em todo o país. O movimento começou como uma reação aos estudantes que foram às ruas se posicionar contra os cortes de recursos das faculdades federais, mas ganhou contornos dramáticos nos últimos dias. O tamanho e as pautas da manifestação serão um termômetro importante para medir a popularidade do governo Bolsonaro e a sua força para colocar seu estilo em prática.
A ideia de um movimento incentivado pelo próprio governo rachou até mesmo sua base de sustentação. A deputada estadual Janaína Paschoal, que recebeu 2 milhões de votos, foi um ícone pelo impeachment de Dilma Roussef e apoiou Bolsonaro na campanha pela presidência, foi uma das primeiras a pedir para que as pessoas não fossem à manifestação hoje. “Pelo amor de Deus, parem as convocações! Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!”, escreveu em sua conta do Twitter. “Àqueles que amam o Brasil, eu rogo: não se permitam usar! Não me calei diante dos crimes da esquerda, não me calarei diante da irresponsabilidade da direita”, disse. O MBL (Movimento Brasil Livre), muito atuante contra o governo petista e apoiador da campanha bolsonarista, já vinha se afastando do presidente e, com a ideia de uma manifestação pró governo, rompeu de vez. O líder do movimento, Kim Kataguiri, chegou a dizer que o governo ‘caminha para o abismo‘. Até o humorista Danilo Gentili se recusou a convocar as pessoas para participarem das manifestações e virou alvo de ataques nas redes sociais pelos bolsonaristas. Além deles, deputados do PSL ainda brigaram entre si. A pauta rendeu tanto conflito que o próprio presidente que chegou a dizer que participaria do evento, mudou de ideia e ainda pediu para que os ministros também não participem.
Toda a polêmica acontece porque a movimentação foi embalada por um tom de radicalismo, ainda mais depois que o Bolsonaro compartilhou um texto que dizia que o Brasil tinha se tornado um país ‘ingovernável fora de conchavos.‘ Para piorar, na pauta da manifestação, constavam temas hostis que chegaram a pregar o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal). A jornalistas, ontem, o próprio Bolsonaro criticou pautas que devem ser defendidas nas ruas hoje. ‘Quem defende o fechamento do STF e do Congresso está na manifestação errada‘, disse.
Está claro que governar um país do tamanho do Brasil é realmente um desafio. Organizar a articulação com o Congresso, entender o papel dos poderes constituídos, no entanto, é fundamental. Pensar que o melhor caminho é derrubar as instituições em vez de aperfeiçoar o processo democrático chega a ser horripilante. O presidente parece ter entendido isso quando refreou as bandeiras que serão levantadas por seus apoiadores. Ir às ruas defender uma ideia, é um símbolo importante numa democracia em que cada cidadão é livre para defender o que acredita. Que os manifestantes também se lembrem disso.
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