Prestes a completar seu quarto mês como presidente do Brasil, Jair Bolsonaro deve olhar com certa inquietação os resultados da pesquisa XP Investimentos , divulgados nesta sexta. Caiu de 51% para 47% o contingente dos que acreditam num desempenho ótimo ou bom até o fim do mandato. E subiu de 27% para 31% os que consideram o governo ruim ou péssimo.
Outra consultoria, a Atlas Político, já havia divulgado na terça-feira números não mais animadores para o ocupante-mor do palácio do Planalto. O índice dos que atribuem ao governo a maior responsabilidade pela atual situação econômica do País dobrou, passando de 5% a 10%, embora o ex-presidente Lula seja considerado na mesma consulta popular como o maior responsável pelo quadro atual da economia. Outro índice que chama atenção por estar próximo do resultado da pesquisa XP Investimentos é o da avaliação negativa (36%) do presidente, que ultrapassa a positiva (34). Pela primeira vez desde a posse, a desaprovação supera a aprovação. Em fevereiro, 38,7% dos entrevistados aprovavam o governo, contra 22,55 que desaprovavam. A pesquisa da Atlas foi realizada com 1.000 entrevistados entre os dias 20 e 21 de maio, por telefone, em todas as Regiões do Brasil. A da XP foi feita com 2 mil pessoas entre os dias 19 e 21 de maio, da mesma forma.
Como sempre, há os que contestam dados do tipo e olham com certa dúvida as pesquisas. Mas é certo que parece emergir aos poucos um consenso no que tange ao fato de que em lugar de enfrentar de forma substantiva o grande desafio do país que é a Reforma da Previdência, o presidente se deixa enredar por questões menores, algumas de âmbito familiar; gasta sua energia respondendo mal aos que o contraditam em protestos e não consegue entender-se com aqueles que podem lhe conferir uma vitória que será importante para o país na votação que se aproxima. Esses fatores se somam a uma série de outros (como os 14 milhões de desempregados) que podem explicar a mudança de humor do brasileiro.
Neste domingo, os dados das pesquisa spoderão revelar até onde vai a capacidade de medição de ambos. Convocada a ir às ruas por bolsonaristas fiéis, a população vai dizer como está sentindo o momento. Se o número de apoiadores for grande, endossará o jeito Bolsonaro de governar ( e de se relacionar com os outros poderes). Se for pequeno, poderá confirmar as pesquisas que registram desgaste já nesse período em que a lua-de-mel entre governo e sociedade costuma normalmente estar ainda em vigor. Mas pode acontecer também de as manifestações levarem às ruas apenas mais protestos contra os políticos, de forma generalizada. Nesse caso, a hostilidade do Congresso contra o Executivo, e vice-versa, tenderá a crescer, o que não será nada bom neste momento onde em que todos deveriam estar olhando para o bem comum - algo que se torna a cada dia mais abstrato.
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