Em apenas quatro meses, no começo deste ano, a Autovias retirou 28 animais das pistas que circundam Franca. A informação pode ser lida em detalhes em matéria na página 6A desta edição. São animais que ultrapassam as cercas das propriedades vizinhas e acabam em diferentes trechos da Rodovia Cândido Portinari, levando uma série de riscos aos motoristas que trafegam pela região.
No último dia 5, o pedreiro Osmar Mateus da Silva foi uma vítima desta terrível estatística. Ele passava de moto, perto da alça de acesso à Vila São Sebastião, quando atingiu um cavalo que atravessava a pista. Osmar tinha apenas 44 anos e morreu na hora.
Dentro da cidade, o problema é semelhante. Apesar não haver uma estatística sobre a quantidade de animais soltos pelos terrenos que margeiam ruas e avenidas, é fácil se deparar com vacas, cavalos e mulas ao transitar pela cidade. Na última quarta-feira, um entregador bateu em um cavalo em plena Avenida Orlando Dompieri. Apesar de ter sofrido apenas ferimentos, o episódio reforça o alerta a um problema sério com o qual temos convivido em Franca. Testemunhas, que estavam pelo local, disseram que é frequente ver animais transitando pela avenida.
É inegável que os órgãos públicos, responsáveis pela fiscalização da cidade, precisam passar a agir com mais rigor com a máxima urgência. Prefeitura de Franca, Vigilâncias Ambientais, Ministério Público, Polícia Ambiental, todos os envolvidos precisam, para ontem, olhar com mais atenção ao problema e encontrar caminhos para combatê-lo com efetividade.
O trânsito de Franca já é violento por si só, mas um animal solto em uma rodovia, no meio da noite é praticamente uma sentença de morte. Neste momento nem é o objetivo deste texto detalhar todos os maus tratos que estes animais devem suportar, obrigados a perambular perdidos no asfalto, uma outra face do problema de extrema gravidade.
Também não se intenta, aqui, diminuir as dificuldades que enfrentam trabalhadores que dependem dos animais para sobreviver. Mas, sim, para que haja um trabalho coletivo de conscientização. E mais.
Precisamos, todos, estarmos atentos para identificar quem são os donos desses animais para que eles sejam chamados às suas responsabilidades. Ter a posse de um animal significa também arcar com todos os cuidados para que ele esteja bem cuidado, em um local apropriado, sem colocar em risco a vida de outras pessoas. É a consciência mínima que se espera de um cidadão.
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