Franca é a 2ª cidade do Estado de São Paulo que tem o preço por metro quadrado mais elevado em loteamentos fechados, de acordo com a pesquisa da Brain, encomendada pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e pela Aelo (Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano). A cidade fica atrás apenas da região metropolitana de São Paulo.
De acordo com o estudo realizado no terceiro trimestre de 2018, o metro quadrado do lote fechado em Franca chega a custar R$ 765, enquanto a região metropolitana de SP aparece em primeiro lugar com R$ 781. A média geral da pesquisa mostra o valor de R$ 567, ou seja, Franca está R$ 198 acima da média estadual.
O arquiteto e urbanista Ítalo Mazzucatto, especialista do Secovi, explica que a supervalorização dos lotes se dá devido à cidade lançar poucos empreendimentos, quando a demanda é grande. “A partir do momento em que houver mais opções para o consumidor na compra do imóvel ou lote, o preço abaixa. Isso é coisa de competição imobiliária. Se houvessem mais loteamentos sendo lançados na cidade, com certeza o preço abaixaria e esse repasse não seria colocado para o consumidor final”, disse. A pesquisa ainda mostra que até o 3º trimestre de 2018, Franca lançou apenas 1 loteamento enquanto Araraquara, que é uma cidade de porte menor, lançou 3.
O preço por metro quadrado do loteamento aberto em Franca também tem média alta e chega a custar R$ 389, sendo mais caro que o de uma cidade de porte maior, como Ribeirão Preto, que tem o metro quadrado por R$ 356.
O presidente da Alfa (Associação dos Loteadores e Empreendedores Imobiliários de Franca) Jorgito Donadelli, atribui o preço elevado do lote também à morosidade do poder público de Franca em aprovar os projetos. “Já vi casos de demorar 9 anos, quando o projeto poderia ser aprovado em 1 ano e 2 meses. Essa demora acaba gerando o encarecimento do lote”, disse ele. Na opinião de Donadelli, a falta de opções continua sendo um problema grave. “Não está errado Franca ter um lote de 200 metros quadrados por R$ 80 mil reais, o que está errado é Franca não ter esse mesmo lote por R$ 50 a 60 mil. Como que o empreendedor vai abaixar o preço, se ele coloca o lote pra vender e vende?”. Ítalo, por sua vez, complementou dizendo que toda exigência que o poder público faz em cima do empreendedor e que venha a trazer algum custo a ele, esse custo inevitavelmente será repassado ao consumidor final.
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