Elio Corazza Neto nasceu há 29 anos, em São Bernardo do Campo. Quando criança, ao contrário dos meninos de sua idade, não ganhava bolas ou camisas de times de futebol. Os presentes eram bolas e tênis de basquete e camisetas de equipes da NBA.
Quando tinha 11 anos, começou a jogar basquete no clube da Volkswagen, em São Bernardo, incentivado pelo padrinho Juliano, que chegou a jogar profissionalmente por três anos no ABC. A baixa estatura e a habilidade fizeram com que jogasse na posição de armador. Passou a ser conhecido pelo apelido de Elinho.O jovem atleta fez toda a base no Pinheiros, onde ficou dos 12 aos 19 anos.
Elinho foi para os Estados Unidos e jogou um ano em times universitários. De volta ao Brasil, passou pelo São Caetano, Minas Gerais, Mogi das Cruzes e Paulistano. Jogando pelo Paulistano, foi campeão do Campeonato Paulista em atuação brilhante na decisão disputada em pleno Poliesportivo.Em junho do ano passado, deixou o rival Paulistano e veio jogar pelo Sesi Franca. É o armador e capitão do time, que começa a disputar as finais do NBB neste domingo contra o Flamengo.
O maestro do Franca recebeu o Comércio para falar sobre a expectativa de tentar conquistar um título inédito na história do basquete francano.
No ano passado, você foi campeão paulista jogando pelo Paulistano em pleno poliesportivo contra Franca. Agora, disputará uma decisão de NBB por Franca. Qual a diferença entre jogar contra e a favor de Franca?
O diferencial é a torcida. Na final do ano Campeonato Paulista, no ano passado, o Poli estava lotado. Foi uma sensação muito boa ter sido campeão aqui pelo Paulistano. A gente estava buscando muito isto. Agora, jogar com a torcida ao seu favor é muito bacana. Franca é mesmo a Capital do Basquete. A cidade inteira acompanha e entende de basquete. A diferença é ter a torcida a seu favor.
Qual o peso que a torcida de Franca tem em uma decisão?
Ajuda bastante. Quando o ginásio está lotado, como aconteceu contra Bauru e Mogi, nos play-offs do NBB, e também na final da Copa Super 8 contra o Flamengo, é incrível. A torcida apoia mesmo e nos ajuda o tempo inteiro. Os torcedores entendem bastante do jogo e nos ajudam muito. É bem legal.
No ano passado, você foi o armador do Paulistano na vitoriosa disputa pelo título de campeão do NBB. Agora, é o maestro da equipe de Franca. Você tem noção do tamanho desta responsabilidade?
Tenho, mas este sempre foi o meu estilo de jogo. Sempre tentei armar o time, colocar todo mundo no jogo. Gosto de colocar para jogar os pivôs, o lateral que gosta de fazer o Pick and Roll (jogada ofensiva em dupla), lateral que gosta de chutar paradinho. Sempre foi uma característica minha, desde a base, sempre joguei neste estilo. No ano passado, fui para o Paulistano com esta responsabilidade e acabou dando certo. Agradeço muito ao Paulistano pela oportunidade que meu deu.Agora, em Franca, eu também vim com esta responsabilidade. É um peso grande, que encaro como uma grande oportunidade. É uma meta minha, uma nova fase. Eu e o Lucas Dias conversamos para vir para cá juntos. A gente sabia que existia esta pressão grande na cidade, que não ganhava um título há muitos anos.Viemos com esta meta de tentar retomar as conquistas. Já conseguimos dois títulos importantes (Campeonato Paulista e Liga Sul-Americana) para a cidade e vamos em busca de mais.Eu lido bem com a pressão. Cada jogador tem sua responsabilidade. Se for parar para pensar, a minha responsabilidade é a mais fácil, que é só organizar o time. Acredito que seja mais difícil para quem tem que fazer cestas, como são os casos do David Jackson, Lucas Dias e Didi. Esta galera é que tem a responsabilidade mesmo de colocar a bola lá dentro da cesta. Cada um tem o seu papel dentro da equipe.
Você faz um preparo especial? Qual é o segredo para ser o maestro de um time?
Me preparo muito, gosto muito do que eu faço. Vivo basquete 24 horas por dia mesmo. Assisto isto todos os dias, o dia inteiro. Se passa na TV, tento saber das novidades. Gosto mesmo do esporte e vivo basquete. Acho que minha preparação é esta. Viver o basquete intensamente. Me preparo bem. Treino todos os dias e tento ser melhor do que ontem. Antes dos jogos, não fico pensando tanto sobre o que posso fazer. Uma boa atuação em quadra é resultado dos treinos.
No futebol, é comum as torcidas adversárias falarem que o Palmeiras não tem mundial. No basquete, os torcedores rivais zoam que Franca não tem NBB. Chegou a hora de acabar com este tabu?
Esta é a nossa meta. Estamos bem focados e determinados em trazer este título para Franca e para nós jogadores. No ano passado, tive o prazer de ser campeão e posso dizer que é um sentimento absurdo ser campeão brasileiro. O NBB é um campeonato que só cresce e conquista-lo é muito difícil e prazeroso. Estamos preparados e no caminho certo. Fizemos um campeonato bom, fizemos um play-off muito bom contra Bauru e Mogi. Vai ser muito duro decidir o título contra o Flamengo. O adversário é um time experiente, eles estão acostumados com decisões. Vamos ter que fazer belos jogos, principalmente, no jogo neste domingo, para mostrar que estamos bem a fim de sermos campeões.
Franca e Flamengo foram os melhores times da fase de classificação e, desde o começo do campeonato, eram apontados como favoritos para conquistar o título. O que você espera destas finais?
Vai ser uma pedreira. São os dois times que se prepararam mesmo para esta temporada e estudaram bem quais jogadores contratarem. As duas equipes foram muito bem montadas e deu resultado. Os times fizeram por merecer, foram os melhores da temporada mesmo, são os dois únicos que têm títulos nesta temporada. Acredito que vai ser uma série longa. Não acho que vai ser três a zero para ninguém ou três a um. É bem difícil que isto aconteça. Acho que vai ser uma série bem longa. Vamos para cima dos caras. Vai ser difícil, mas estamos bem preparados.
Franca perdeu a decisão da Copa Super 8 em casa, para o Flamengo, em dezembro. Agora vai ser diferente?
A situação atual é diferente. O Flamengo vinha no melhor momento deles. Eles jogaram muito bem e encaixaram uma boa sequência de vitórias. Eu não joguei o Super 8. O Rafa (pivô Rafael Hettsheimeir) ainda estava voltando da lesão. Agora, é outro momento. Estamos bem preparados e com o time inteiro.
Como você espera ver o Poliesportivo nos jogos contra o Flamengo?
Espero que o ginásio esteja lotado, que os torcedores apoiem bastante a gente. Não vai ser fácil, mas estamos muito preparados para fazer uma grande decisão. Durante o NBB, perdemos apenas um jogo em casa. Temos que fazer prevalecer o fator casa ainda mais agora, nas finais.
Você já está sonhando com o jogo, mentalizando alguma jogada? Como são os dias que antecedem uma grande decisão?
Eu sou um cara muito tranquilo, nada ansioso. Ainda não está passando nada pela minha cabeça. Tento não pensar muito. A ansiedade acaba atrapalhando nestas horas. Só penso em treinar. Estou treinando bem e me preparando adequadamente para fazer uma grande final. O importante é estar se sentido bem. Basquete é muito cabeça. Você precisa estar se sentindo bem. Não só eu, mas o time todo está confiante.Estou torcendo para chegar logo a hora do jogo. Nunca joguei no Maracanãzinho (local do jogo um neste domingo). É um ginásio muito grande, uma experiência nova. Não vejo a hora de entrar na quadra lá e tentar trazer esta vitória para Franca.
A torcida do Flamengo deve lotar o Maracanãzinho e fazer uma pressão absurda. Como é jogar contra uma torcida tão fanática?
Você sente o barulho, a vibe da torcida, mas você tenta bloquear a pressão. É uma atmosfera muito gostosa. Estamos dentro das quatro linhas e vamos tentar dar o nosso máximo para tentar ganhar. É normal que algum jogador sinta a pressão, mas, em alguns casos, o barulho da torcida acaba ajudando e serve de incentivo. É gostoso. Nosso time está acostumado a jogar decisão com a casa cheia. Temos jogadores experientes e estamos bem preparados para enfrentar a pressão.
O que a torcida de Franca pode esperar do time nestas finais?
Pode esperar o que temos feito na temporada inteira. Não vai mudar nada, não vamos fazer nada de diferente agora. Vamos jogador coletivamente, vamos jogar o nosso estilo, vamos marcar e nos entregar muito. Somos um time com humildade. Vontade, determinação e correria não vão faltar.
Depois de tanto bater na trave, ou no aro, chegou a hora de Franca ganhar o NBB?
Tomara. Estamos querendo muito ganhar este campeonato. A torcida quer muito isto. Estamos completamente focados. Ser campeão só traz coisas boas para o atleta. O título traz reconhecimento e deixa o nome escrito na história da cidade e do campeonato. Já conversamos sobre isto e pretendo repetir estas palavras ao time lá no Rio de Janeiro antes do jogo.
O jogador só tem a colher coisa boa sendo campeão. Chegar na final é bom, mas ser campeão é algo extra, um sentimento inexplicável. Eu nunca tive filho, então, o melhor sentimento que já tive na minha vida foi ser campeão. Ganhar o NBB é um gosto especial. Todas as dificuldades enfrentadas ao longo da temporada são recompensadas neste momento. Com certeza, ser campeão é o melhor sensação que existe.
No ano passado, você tirou um título do Franca jogando no poliesportivo. Vai pagar esta dívida com a torcida?
Digamos que já paguei. Já ajudei a dar um paulista e um sul-americano para Franca depois que vim jogar aqui. Esta temporada já foi boa, mas o gostinho do NBB está entalado na garganta de todo mundo e na nossa também. Quero muito dar este título para a nossa torcida.
Você veio de fora e está em Franca há pouco tempo. Como é o seu contato com os torcedores?
Em Franca, é diferente dos outros lugares. Aqui, os torcedores entendem mais e acabam reconhecendo mais os jogadores. É uma relação muito bacana. Sempre tem alguém que vem e pede para tirar uma foto ou querendo um autógrafo. A torcida sabe que a gente se entrega e que luta muito pela vitória. Franca precisava de um time como este e, felizmente, estamos conseguindo fazer a alegria dos torcedores.
O que você projeta para os próximos anos?
Eu penso muito pouco no futuro. Acho que temos de viver o dia de hoje, a temporada que seu time está disputando. Tenho mais um ano de contrato em Franca. Eu projeto disputar o máximo de títulos possíveis. O basquete de Franca tem uma história linda com grandes nomes. O nosso time inteiro está colocando o comecinho do nome nesta história. O título do NBB, se vier, vai coroar o time e ajudará a colocar o nosso nome nessa galeria de campeões.
Sem dúvida, eu sonho em colocar o meu nome na história do basquete de Franca. O que buscamos todos os dias no treinamento são os títulos. Os títulos trazem reconhecimento. Todo atleta vive um pouco por isto, cada um tem a sua meta, a sua motivação. A minha motivação são os títulos.
Qual mensagem você gostaria de deixar para os torcedores?
Primeiro, quero agradecer o quanto a torcida abraçou os jogadores novos que chegaram e o quanto está apoiando nosso time nesta temporada. Peço aos torcedores que acompanhem a gente nesta final, pois vamos precisar muito. Lutaremos até o fim pelo título.
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