Em razão dos comentários efetuados na última semana, fomos questionados e vimos que muitos desconhecem o que está a ocorrer: - em primeiro lugar os cortes serão aplicados nas Universidades Federais e não em todas as instituições de ensino como muitos estão sendo induzidos a pensar; - em segundo lugar quantos alunos das universidades federais já conseguiram e tiveram acesso à prestação de contas, com dados abertos mesmos e não com descrição técnica contábil pública que poucos entendem; e - em terceiro lugar, em nosso país nunca se teve a coragem de dizer que nós estamos em crise há décadas e ninguém tentou equacionar receitas e despesas, pois as prioridades sempre foram os interesses políticos, deixando sempre o “remédio amargo” para depois, o que nunca ocorria.
Temos que ter a consciência de que “sacrifícios” de todos, são necessários diante do cenário atual, pois estamos quebrados. Nós professores acadêmicos sempre defendemos a autonomia universitária, que a universidade pública fosse regida por suas próprias normas, prevendo gestão empresarial social. Porém a maioria dos gestores das universidades não são administradores e sim professores. Às vezes tomando decisões induzidos por outros mais “experientes”.
Em outros países, universidades se mantêm praticamente por se inserirem no setor de serviços não exclusivos do Estado. No Brasil, as universidades, também vendem e prestam serviços a empresas, porém não prestam contas de tais valores recebidos e como foram utilizados, justificando que há necessidade da proteção das chamadas “outras fontes de financiamentos” que não pretendem se ver publicamente expostas. Dessa forma ficam fáceis desvios e corrupções. Será que os universitários sabem disso?
Em tais países de primeiro mundo a qualidade é definida como competência e excelência, orientada por três questionamentos: 1) Quanto uma universidade produz?; 2) Em quanto tempo produz?; e 3) Qual o custo do que produz? Respondidos tais questionamentos, estará definida a gestão de modo empresarial da universidade, que adequará seus gastos com suas receitas. Isso é tecnocracia, ou seja, é colocar em prática e gerir a universidade utilizando-se das mesmas normas e critérios das indústrias, comércio e prestadores de serviços.
Obviamente que falta ao governo habilidade para informar o porquê da necessidade de contingenciamento e, infelizmente a grande mídia não divulga tais pontos essenciais e trás informações que somente alimenta ainda mais as polêmicas.
Em síntese, por trás das informações que são passadas há muitas coisas obscuras, apesar da lei da transparência. A propósito, acadêmicos requeiram aos reitores, que se dizem democráticos, acesso e cópias de contratos, notas fiscais, prestação de contas de viagens, congressos etc. e por si analisem. Isto caso consigam tais documentos!
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