PATRICK MESQUITA
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Jean Rodrigo Aldrovande, 39, morto após ser baleado na última terça-feira (14), no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, era visto como uma referência na comunidade. Professor de jiu-jitsu em um projeto social, ele tinha o sonho de tirar jovens carentes da criminalidade por meio do esporte, mas teve a meta interrompida após levar um tiro.
A versão dos familiares é que policiais entraram atirando na rua em que o atleta estava, e uma bala o atingiu na cabeça. Um outro rapaz, que frequentava a mesma academia, também foi atingido e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas.
Um dos quatro filhos, que também era aluno de Jean Aldrovande, estava presente no momento dos disparos e viu o pai ser morto. "Ele sempre foi um pai maravilhoso, um filho melhor ainda. Sempre foi amigo, conselheiro, fazia o bem sem olhar a quem, sempre estava disposto a ajudar. Ele era muito brincalhão, de tudo fazia piada e ria", conta a irmã do atleta, Scarlat Aldrovande, em entrevista ao UOL Esporte.
"Ele já havia passado por situações difíceis na vida, mas venceu. Sempre amou a luta e tinha o sonho de ensinar para as pessoas carentes, para tirar os jovens da criminalidade. Ele conseguiu ajudar muitos."
O sentimento da família é de revolta, principalmente com as autoridades do Rio de Janeiro. Scarlat Aldrovande chamou os policiais de "despreparados" e acredita que o culpado pela morte do irmão ficará impune. "Fica a raiva, revolta e tristeza. Um bando de homens despreparados saem atirando em pessoas inocentes sem pensar que poderia ser o irmão deles ou algum familiar deles", diz. "A maior revolta é saber que o imbecil vai sair impune e vida que segue. E quem sofre e chora somos nós."
Nascido no Rio de Janeiro e morador do Complexo do Alemão durante a maior parte da vida, Jean Aldrovande mudou para o bairro de Vaz Lobo há pouco tempo. Ele, no entanto, sempre estava na comunidade em que foi criado, para dar aulas. Em muitas das vezes, o professor fazia o trajeto de casa ao trabalho a pé e levava cerca de 1h30min.
"Ele ia andando de Vaz Lobo para o Alemão só para dar aula. Sempre foi extremamente apaixonado por jiu-jitsu, o sonho dele era ser faixa preta. Quando ele trocou de faixa, me ligou todo feliz que agora faltava pouco para conseguir o objetivo", afirma a irmã do atleta.
"A maior dor que existe é saber que não vou ver nunca mais meu irmão brincando, rindo. Nunca mais vou poder abraçá-lo", conta Scarlat Aldrovande.
Procurada pelo UOL Esporte, a Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que policiais foram informados sobre o caso e, ao chegarem ao local, "constataram o fato e já se depararam com uma manifestação na Estrada Adhemar Bebiano, tendo então atuado para estabilizar a região. A Delegacia de Homicídios foi acionada."
O comando da CPP (Coordenadoria de Polícia Pacificadora) ouviu os policiais e iniciou procedimento para averiguar as circunstâncias das ocorrências.
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