Na história organizada pelos séculos
Que viram nascer do latim o tal romanço
Foi depois se firmando entre dois reinos
O galaico-português dos lusitanos
E aí os trovadores começaram
A realçar em suas rimas e langores
A língua que se ia fixando
Entre cantigas de amigo e de amores
Antes porém chegaram os muçulmanos
Em época de lendária ocupação
Com palavras como álcool, algoritmo
E outras sem o -al, como limão
Muito tempo depois de tudo isso
Brilhou Camões em toda pompa e toda glória
Para elevar aos patamares mais sublimes
A língua que se impôs como vitória
Ela aportou na nova terra descoberta
Com a vinda de ousados navegantes
Entre nativos e escravos conviveu
Acolhendo até mesmo os dissonantes
Vinha das matas o cheiro bom do manacá
Entre doçuras reinavam sapotis
Mas na senzala os tambores protestavam
Contra a chibata e a dieta do fubá
Não foi fácil o triunfo do idioma
O nheengatu, língua geral, era uma arte
Mistura estranha de sons muito diversos
Por cem anos o falavam em toda parte
Até que um dia dom José o proibiu
A linguagem do nhenhem enfraqueceu
E as vilas e as escolas do Brasil
Abraçaram de vez o português.
Bem mais tarde aportaram os imigrantes
Temperando com seu sal o idioma
Realçando o que dizia nosso Rosa:
“Língua e vida parecem a mesma coisa!”
História de falares diferentes
Onde léxicos estranhos se mesclaram
O português do Brasil é um exemplo
Do diverso incluído e incorporado
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