Pacientes esperam mais de ano por ginecologistas


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Secretário de Saúde, José Conrado Neto:
Secretário de Saúde, José Conrado Neto: "Novo concurso para médicos deve ajudar a minimizar o problema"

O município conta com apenas nove ginecologistas, atendendo em onze UBSs (Unidade Básica de Saúde). O número reduzido de profissionais tem gerado longa demora no atendimento e insatisfação por parte das pacientes. Elas não conseguem fazer consultas ou realizar exames sem passar por espera que pode levar, em alguns casos, mais de um ano.

A paciente Guiomar Lourenço Santos, 40, é um exemplo. Em março de 2018 ela recorreu a UBS do Leporace para agendar uma consulta ginecológica. Com dores na barriga, teve a informação de que não havia previsão para a realização do exame. “Foram entrar em contato comigo quase um ano depois, para que eu fizesse a consulta no Laboratório Escola, pois na UBS do Leporace a ginecologista só atendia a gestantes”, disse. Quando foi realizar o exame Papanicolau, Guiomar conta que foi atendida por dois médicos residentes que realizaram o procedimento. Segundo ela, a médica ginecologista que estava presente só acompanhou os residentes e não conversou a respeito das dores que ela sentia.

No dia 27 de março deste ano, a paciente voltou ao Laboratório Escola para ver o resultado do exame, que foi desfavorável. “A ginecologista disse que meu exame estava alterado e que ainda não era um diagnóstico de câncer, mas se eu demorasse a realizar outro exame poderia virar”, comenta. Apavorada, ela relata que saiu do local e foi direto para a UBS Leporace para marcar o outro exame e, quando chegou lá, recebeu a informação de que não tinha data disponível para o agendamento e, desde então, aguarda um retorno.

A sapateira Mercedes Costa da Silva, de 39 anos, moradora do bairro São Domingos, relata a mesma dificuldade em conseguir agendar uma consulta. Ela procurou em janeiro a UBS do Parque do Horto após sentir dores nos seios e foi informada de que deveria aguardar um retorno, mas até hoje nada. “Minha dor piorou, não consigo mais dormir de bruços e não tenho condições de pagar um atendimento particular”.

E o descaso é tão grande que tem pacientes que aguardam há anos por um exame, como é o caso da sapateira Elisa da Silva, de 51 anos, moradora do bairro Chico Júlio. Ela conta que após passar por uma consulta em outubro de 2017 na Santa Casa, o médico lhe recomendou fazer um ultrassom para verificar o motivo de suas cólicas intensas e sangramento excessivo. “Na época, procurei a Secretaria de Saúde para agendar o ultrassom, colocaram meu nome na lista de espera e até agora nada”. A paciente conta que retornou à Secretaria de Saúde em março de 2018 para ver se tinham alguma posição, mas a única informação que passaram é de que ela deveria aguardar. “Não pude retornar ao médico até hoje, porque não consegui fazer o exame”.

O secretário de Saúde, José Conrado Neto, promete concurso para ajudar a minimizar o problema. Leia abaixo.


Secretário disse que esse ano haverá concurso para médico

Os nove médicos ginecologistas que atendem nas UBS da cidade é muito pouco, conforme reconhece o próprio secretário Municipal de Saúde, José Conrado Dias Netto. “Temos uma quantidade insuficiente de médicos para suprir a demanda que é alta”, disse. Mas o problema não parece ser de fácil solução. Ele disse que é difícil contratar médicos, por conta da baixa remuneração. “No segundo semestre deste ano, realizaremos um novo concurso público para a contratação de ginecologistas e o edital já prevê um salário melhor, para a valorização desses profissionais”.

Para minimizar o problema, a Prefeitura tem comprado consultas em clínicas particulares para atender à população. Conrado afirma que “são disponibilizadas cerca de 6.000 consultas por mês, entre elas, consultas de rotina, gestantes e consultas de ginecologia em ambulatório de DST/AIDS”. O secretário disse, também, que a Casa da Mulher, que está sendo reformada e deve iniciar atividade ainda esse ano - pode vir a solucionar o problema, pois prestará atendimento às mulheres, como consultas psicológicas, ginecológicas, obstétricas, mamografia, etc. “Pretendemos aumentar a nossa capacidade para 3.500 atendimentos médicos por mês”. Quanto aos casos das pacientes que reclamaram do atendimento, Conrado orientou que elas procurem a diretora da UBS ou a Secretaria de Saúde, para realizar o agendamento das consultas ou exames, o mais rápido possível. 

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