Em meio aos cerca de 800 alunos que frequentam a Escola Estadual “Prof. Agostinho Lima de Vilhena”, no Jardim Noêmia, três alunos são portadores da síndrome de TEA (Transtorno do Espectro Autista), conhecido popularmente como autismo. Artur Santos Leite e Wesley Gabriel Soares, ambos frequentando o 7º ano e Maria Eduarda Gondim Mello, primeira aluna com a síndrome a estudar no local, integram uma lista composta por 12 alunos que têm alguma necessidade de inclusão e frequentam aulas na unidade.
Entre os três autistas, o pequeno Artur é o que tem a situação mais grave e a atitude de sua mãe emociona. Ana Paula Leite, 48, deixou a carreira de contabilidade e foi trilhar um novo caminho profissional para acompanhar o aprendizado do filho e contribuir para o seu desenvolvimento educacional.
Artur, hoje com 13 anos, nasceu em 2006. Seu desenvolvimento foi normal até que ele completasse 1 ano e 4 meses, foi nessa época que ele apresentou os primeiros sintomas do autismo. “Ele tem um autismo regressivo, ele já pronunciava as primeiras palavras, socializava, mas em um prazo entre três e quatro meses perdeu essas habilidades e não adquiriu outras”, explicou a mãe.
Segundo Ana Paula, desde o início da alfabetização ela encontrou problemas nas escolas, inclusive na rede particular, onde o menino não era aceito. “Com a lei que garante a inclusão, algumas unidades passaram a aceitar nossos filhos, mas não estavam aptas para garantir a qualidade deste processo. Antes de passar a estudar aqui, por exemplo, ele frequentou a rede municipal, mas apesar de ser acolhido, não havia preparo dos profissionais. Ele foi trabalhado neste período mais a parte social e praticamente nada a questão pedagógica. Ele tinha o cuidador, que não tinha formação pedagógica, mas não contava com o professor auxiliar”, explicou.
Vendo as dificuldades do filho, logo no início do ingresso nas unidades escolares, Ana Paula decidiu cursar pedagogia. Ela se formou na Universidade de Franca e posteriormente se pós-graduou em Educação Especial na Censupeg, em Uberlândia (MG). “Sabia que o meu filho tinha mais a dar e me preparei para ajudá-lo. O meu foco é voltado para ele e neste ano consegui o meu maior prêmio, que é ter conseguido ser escolhida a professora auxiliar dele”, disse.
Ana Paula participou normalmente do processo de atribuição de aulas. Mesmo sendo uma das últimas da lista no processo de atribuição, já que existem diversas regras, conseguiu ser a professora auxiliar do filho. Desde então, ela passa todas as tardes com ele e acompanha diretamente sua aprendizagem. “Há alguns dias ele realizou a primeira prova dele desde que está na escola. Pode parecer pequeno, mas é uma grande evolução e me emociono de ter vivido isso. Ele frequenta uma sala normal e hoje até os outros alunos entendem que ele faz parte da sala”, disse Elis Bernardes Bento, coordenadora da escola.
Planejamento
Na escola, todos os alunos que fazem parte da inclusão contam com o PEI (Plano Educacional Individualizado). No caso dos autistas, trata-se de um planejamento especial para cada um dos meninos de acordo com as necessidades em todas as matérias. “Entendemos a necessidade e a importância da inclusão. A inclusão está no nosso plano pedagógico. Neste ano, o Grêmio Estudantil também passará a trabalhar o tema inclusão”, disse a coordenadora da escola, Elis Bernardes Bento.
Sala de apoio ajuda no ensino das crianças com autismo
“Em outras escolas não tive a abertura e a cumplicidade que encontrei aqui, seja no processo de inclusão, como professor auxiliar, como também para a criação da sala”, finalizou Ana.
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